domingo, 25 outubro 2026

Emissões de CO2 da aviação cabo-verdiana aumentaram 45% em 2024

“Em comparação com 2023, observou-se um aumento de 45% na emissão de CO2 e de 44% no consumo de [combustível] Jet A-1, reflexo de um crescimento de 21% no número de voos”, lê-se no novo Relatório de Emissão de CO2 da Aviação Civil, publicado pelo organismo e consultado hoje pela Lusa.

A Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) é a companhia estatal que opera voos internacionais com a bandeira do arquipélago e que, desde 2024, assumiu também as ligações domésticas, após a anterior concessão fracassar.

As operações internacionais “foram responsáveis por 74% do total das emissões de CO2”, quase três quartos, “enquanto as domésticas geraram 26%”, dadas as distâncias percorridas.

“A análise dos dados deixa evidente que o aumento de operações aéreas, utilizando combustíveis convencionais de origem fóssil, continuará a aumentar a emissão de CO2, um dos principais fatores responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global que afeta ecossistemas e a qualidade de vida humana”, lê-se no documento.

Apesar de Cabo Verde representar uma ínfima parte nas emissões mundiais da aviação civil, a AAC reitera a necessidade de “adoção pelos países de medidas de mitigação e de redução de emissões”.

Segundo o documento da AAC, os voos internacionais (881) contribuíram com 25.605 toneladas de CO2, enquanto os voos domésticos (4.439) resultaram em 9.026 toneladas, num total de 34.631 toneladas (ou seja, 0,03 megatoneladas) – o instrumento internacional CORSIA estima que tenham sido libertadas 530 megatoneladas pela aviação civil (só voos internacionais), a nível global, em 2023.

“Cabo Verde ainda não aderiu voluntariamente ao Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional (CORSIA, sigla em inglês), mas tem consistentemente submetido as informações anuais sobre emissões de CO2 da operadora aérea nacional”, informou a AAC.

Uma das medidas a nível mundial que poderá ter maior impacto a limitar as emissões é a substituição gradual do atual combustível para aviões por derivados de fontes renováveis ou de resíduos – opção dificultada pelo alto custo de produção e disponibilidade limitada de matéria-prima sustentável.

Relativamente à implementação desta opção em Cabo Verde, a AAC assinala a importância do documento estratégico para “Desenvolvimento a Longo Prazo com Baixas Emissões”, que está “pendente de aprovação do Conselho de Ministros” e onde se prevê a mistura de combustível alternativo importado “com combustível convencional para aviação, em conformidade com os objetivos da União Europeia, aumentando de 5% em 2030 para atingir 63% em 2050”.

O relatório ressalva que, a nível global, as emissões da aviação civil internacional continuam a representar “menos de 2% do total das emissões globais de CO2”, mas continuarão a aumentar, como resultado do crescimento contínuo do transporte aéreo, “a menos que sejam tomadas medidas”.

A economia cabo-verdiana está intimamente ligada à aviação civil.

O setor é crucial para a mobilidade doméstica, entre ilhas, para a ligação à vasta diáspora, dispersa entre Estados Unidos e Europa, e para alimentar o turismo e setores relacionados, motores da economia do arquipélago.

O número de voos tem aumentado, refletindo a dinâmica crescente do setor turístico e o incremento das ligações internas para reforço da mobilidade doméstica.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
20 dias atrás

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joão do rosário
22 dias atrás

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