terça-feira, 27 outubro 2026

Humanidade esgota a 24 de julho recursos do planeta disponíveis para este ano

 

Para a organização, as consequências são visíveis na desflorestação, erosão dos solos, perda de biodiversidade e acumulação de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, o que contribui para o aumento da frequência de fenómenos meteorológicos extremos e para o declínio da produção alimentar.É por tudo isto que a “Global Footprint Network” diz que, neste século, a segunda maior ameaça para a humanidade é a ultrapassagem ecológica, a utilização excessiva e implacável dos recursos do planeta. A maior ameaça é “não reagir”.

 

 

No ano passado o Dia da Sobrecarga do Planeta foi a 01 de agosto. Este ano os recursos esgotaram-se uma semana mais cedo, nos cálculos da organização internacional de sustentabilidade, pioneira da pegada ecológica, que os divulgou hoje, Dia Mundial do Ambiente.

Tal significa que dia 24 de julho é a data em que a humanidade terá esgotado todo o orçamento anual de recursos e serviços ecológicos da natureza, nas contas da organização, que tiveram em conta uma revisão de dados.

A “Global Footprint Network” destaca num comunicado divulgado hoje que a humanidade está a utilizar a natureza 80% mais rapidamente do que os ecossistemas da Terra se podem regenerar, o que significa que esta ultrapassagem é equivalente à utilização de 1,8 Terras.

“Este nível de utilização excessiva só é possível através do esgotamento do capital natural, o que compromete a segurança dos recursos a longo prazo”, referem no comunicado.

Para a organização, as consequências são visíveis na desflorestação, erosão dos solos, perda de biodiversidade e acumulação de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, o que contribui para o aumento da frequência de fenómenos meteorológicos extremos e para o declínio da produção alimentar.

É por tudo isto que a “Global Footprint Network” diz que, neste século, a segunda maior ameaça para a humanidade é a ultrapassagem ecológica, a utilização excessiva e implacável dos recursos do planeta. A maior ameaça é “não reagir”.

Todos os anos a “Global Footprint Network” anuncia no Dia Mundial do Ambiente a data do “Earth Overshoot Day” que assinala o momento em que o consumo de recursos ultrapassa a capacidade de regeneração da natureza e os humanos passam a consumir a crédito.

Na página da organização fazem-se os cálculos também país a país, segundo os quais Portugal esgotou os recursos que tinha disponíveis logo a 05 de maio passado.

O Dia da Sobrecarga do Planeta é determinado utilizando a última edição das Contas Nacionais da Pegada Ecológica e da Biocapacidade (edição de 2025).

No comunicado de imprensa explica-se que as agências da ONU e organismos afiliados fornecem os dados mas por vezes fazem atualizações, tendo este ano ajustado em baixa a capacidade de sequestro de carbono dos oceanos.

Esse facto foi um dos que fez com que o Dia da Sobrecarga do Planeta descesse uma semana em relação a 2024. Sete desses oito dias, destaca, devem -se à revisão dos dados.

Numa leitura dos dados a organização diz que o Dia da Sobrecarga do Planeta se tem mantido estável na última década e que continua a ser demasiado cedo no ano.

E mesmo que a data se mantenha inalterada “a pressão sobre o planeta continua a aumentar” à medida que os danos causados pela ultrapassagem do limite ecológico se acumulam ao longo do tempo.

Ao longo dos anos, segundo o documento, acumulou-se uma dívida ecológica que vai agora em 22 anos. Se a ultrapassagem ecológica terminasse agora, se os recursos chegassem para todo o ano, seriam precisos 22 anos de capacidade regenerativa total do planeta para restaurar o equilíbrio perdido.

“No entanto é pouco provável que toda a dívida ecológica seja reversível”, avisam os autores do documento.

Segundo Mathis Wackernagel, da direção da Global Footprint Network, a ultrapassagem não pode durar e ou acaba porque a população assim o decide ou acaba com uma catástrofe.

O indicador da pegada ecológica começou a ser feito em 1971, quando os recursos davam para praticamente o ano inteiro. A partir de 1984 os recursos já só chegavam a novembro e em 1993 apenas até outubro.

Desde esse ano a humanidade consumiu cada vez mais recursos, com apenas uma ligeira quebra de consumo em 2020, explicada pela pandemia.

 

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
19 dias atrás

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jcf
21 dias atrás

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joão do rosário
23 dias atrás

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