domingo, 25 outubro 2026

ONU denuncia execuções sumárias de civis em Cartum

 

“As execuções extrajudiciais são violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”, declarou o alto comissário, acrescentando que “os perpetradores, bem como os responsáveis pelo comando, devem ser responsabilizados por estes atos inaceitáveis ao abrigo do direito penal internacional”.

 

“Estou totalmente horrorizado com os relatos credíveis de numerosos casos de execuções sumárias de civis em vários distritos de Cartum”, afirmou Volker Türk num comunicado.

O alto comissário exorta "os comandantes das Forças Armadas Sudanesas a tomarem medidas imediatas para pôr termo à privação arbitrária de vidas", apelando ao Sudão para que realize "rapidamente investigações independentes, transparentes e efetivas".

Türk não mencionou as acusações feitas na quarta-feira pelo Comité de Resistência sudanês e pelo coletivo de advogados Emergency Lawyers de que pelo menos 85 pessoas tinham sido mortas, numa semana, em ataques a sul de Cartum, pelas paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).

“As execuções extrajudiciais são violações graves do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”, declarou o alto comissário, acrescentando que “os perpetradores, bem como os responsáveis pelo comando, devem ser responsabilizados por estes atos inaceitáveis ao abrigo do direito penal internacional”.

Os relatórios das Nações Unidas atribuem as execuções às FAS e às forças de segurança do Estado, bem como às milícias e aos combatentes afiliados ao exército.

Em comunicado, Türk explica que analisou “vários vídeos horríveis” publicados nas redes sociais desde 26 de março, “todos aparentemente filmados no sul e a leste de Cartum”, nos quais se podem ver homens armados a executar civis, sublinhando que “na região de Janoub Al Hezam, a sul de Cartum (...), pelo menos 20 civis, incluindo uma mulher, terão sido mortos pelas FAS e por combatentes e milícias afiliadas às mesmas.

Türk constatou também um aumento dos discursos de ódio e de incitamento à violência na Internet, com a publicação de listas de pessoas acusadas de colaborar com as RSF, sendo que “os grupos étnicos das regiões do Darfur e do Cordofão" parecem ser "desproporcionadamente visados".

Na semana passada, o exército sudanês, em guerra há dois anos com as RSF, declarou ter recuperado o controlo da capital, que estava nas mãos das paramilitares.

A guerra no Sudão, que eclodiu a 15 de abril de 2023, já provocou dezenas de milhares de mortos, o deslocamento de mais de 12 milhões de pessoas e uma grave crise humanitária, segundo a ONU.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
22 dias atrás

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