domingo, 25 outubro 2026

Kremlin defende que a suspensão da ajuda militar dos EUA a Kiev é a "melhor contribuição" para a paz

"Se os Estados Unidos deixarem de ser (um fornecedor militar à Ucrânia) ou suspenderem estas entregas, esta será provavelmente a melhor contribuição para a paz", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.

"Os pormenores ainda estão por ver, mas se for verdade, é uma solução que pode realmente empurrar o regime de Kyiv para um processo de paz", insistiu durante o seu 'briefing' diário, acrescentando a necessidade de saber como "evolui a situação no terreno", e sublinhando que "o principal volume" da ajuda militar à Ucrânia "tem vindo até agora dos Estados Unidos".

Peskov, que foi muito cauteloso na sua declaração, pediu que se aguardasse primeiro a confirmação oficial da decisão e depois que se conhecessem "os pormenores".

Ao mesmo tempo, no entanto, sublinhou que este anúncio "é a maior contribuição para a causa da paz" e que os EUA são o país que mais assistência militar prestou a Kyiv desde o início da guerra, há três anos.

Na segunda-feira à noite fonte da Casa Branca citada pela Associated Press (AP) referiu que Trump está focado em chegar a um acordo de paz para terminar a guerra que tem mais de três anos e que pretende ter Zelensky comprometido com esse objetivo.

A mesma fonte, que falou sob anonimato, acrescentou que os Estados Unidos estão a "suspender e a rever" a sua ajuda para "garantir que está a contribuir para uma solução".

Uma fonte da Casa Branca citada pela agência France-Presse (AFP), que também confirmou a suspensão da ajuda militar a Kiev, sublinhou que os Estados Unidos "precisam que os seus parceiros também se comprometam a atingir o objetivo" da paz.

De acordo com a estação Fox News, citada pela agência Efe, esta medida interrompe a entrega de armas ou equipamentos que já se encontrem em território polaco e prontos para entrega final aos ucranianos.

O Presidente norte-americano tinha voltado a criticar na segunda-feira o homólogo ucraniano por não estar tão grato como deveria pela ajuda dos Estados Unidos.

"Acho que ele (Zelensky) deveria estar mais grato, porque este país (EUA) apoiou-os contra todas as probabilidades", disse Trump numa cerimónia na Casa Branca, onde na passada sexta-feira repreendeu publicamente Zelensky durante a visita a Washington do Presidente ucraniano.

A decisão do presidente dos Estados Unidos é a primeira consequência do confronto que teve lugar na sexta-feira passada na Casa Branca entre Donald Trump e o presidente ucraniano Volodymir Zelenski, a que o mundo inteiro assistiu em direto.

Tanto Trump como vários altos funcionários norte-americanos sugeriram a Zelenski que deixasse o cargo para abrir caminho a uma solução pacífica para o conflito, em sintonia com a linha de argumentação de Putin, que considera o presidente ucraniano ilegítimo

Dmitri Peskov falou também da vontade de Washington e Moscovo em restabelecer as relações bilaterais, após anos de extrema tensão.

Na sua opinião, a "normalização" das relações passa necessariamente pelo levantamento das sanções impostas pelos EUA a Moscovo.

"É claro que, se estamos a falar de normalização das relações bilaterais, então estas devem ser libertadas do peso negativo destas sanções", afirmou aos jornalistas.

Na sequência das primeiras conversações russo-americanas na Arábia Saudita, em 18 de fevereiro, Moscovo e Washington afirmaram estar a trabalhar no sentido de restabelecer a cooperação económica e energética, nomeadamente no Ártico e no setor espacial.

Em três anos de conflito, a economia russa tornou-se em grande parte dependente das encomendas militares, enquanto a economia real foi afetada pelas sanções ocidentais, apesar das medidas de contorno e da continuação das importações de certos produtos.

A Semana com Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
19 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
21 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport