domingo, 25 outubro 2026

Papa pede multilateralismo e respeito pela ciência contra desregulamentação neoliberal

Numa mensagem enviada a um congresso científico sobre "O fim do mundo? Crises, responsabilidades, esperanças", datada de 26 de fevereiro e a partir da clínica Agostinho Gemelli onde está internado desde 14 de fevereiro, Francisco pediu "organizações mundiais mais eficazes dotadas de autoridade para assegurar o bem comum global, a erradicação da fome e da miséria e a defesa segura dos direitos fundamentais".

"Sabendo que não é a tecnocracia que nos vai salvar", Francisco considerou que "ceder à desregulamentação planetária utilitarista e neoliberal significa impor como única regra a lei do mais forte", uma "lei que desumaniza".

Hoje, escreveu o Papa, "infelizmente, temos de constatar uma progressiva irrelevância dos organismos internacionais, que estão a ser minados também por atitudes míopes, preocupadas com a proteção de interesses particulares e nacionais".

Na mensagem aos participantes do congresso organizado pela Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, que tem hoje início em Roma, o Papa elogiou a escolha do tema "policrise", um termo que "evoca o caráter dramático da conjuntura histórica que estamos a viver atualmente, em que as guerras, as alterações climáticas, problemas energéticos, epidemias, migrações e inovação tecnológica" se confundem.

"O entrelaçamento destas questões críticas, que tocam simultaneamente diferentes dimensões da vida, leva-nos a questionarmo-nos sobre o destino do mundo e a nossa compreensão do mesmo", afirmou.

Para obter uma resposta, defendeu Francisco, "o primeiro passo" deve ser examinar a relação do homem com o cosmos.

"Se não o fizermos e se não analisarmos seriamente a nossa resistência profunda à mudança, quer como indivíduos quer como sociedade, continuaremos a fazer o que fizemos com outras crises, mesmo muito recentes", como sucedeu com a pandemia, cuja oportunidade de transformação foi desperdiçada, salientou.

Por isso, "para não ficarmos parados, ancorados nas nossas certezas e nos nossos hábitos e medos", é necessário "ouvir atentamente a contribuição do conhecimento científico", sustentou.

"A escuta das ciências traz-nos constantemente novos conhecimentos", referiu Francisco, evocando Newton e outros cientistas.

O líder da Igreja católica insistiu ainda que o mundo deve procurar "um multilateralismo que não dependa da evolução das circunstâncias políticas ou dos interesses de alguns e que tenha uma eficácia estável".

O papa está internado desde o dia 14 de fevereiro com uma pneumonia bilateral e esta foi a segunda mensagem escrita depois do internamento.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
19 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
21 dias atrás

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