domingo, 25 outubro 2026

Base sólida de crioulo cabo-verdiano abre portas para outras línguas – investigador

 

O artigo 9.º da Constituição da República de Cabo Verde, de 1992, define apenas o português como língua oficial, mas também prevê que o Estado deve promover "as condições para a oficialização da língua materna cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa".

 

“Para as crianças é um problema: entram na escola, cai-lhes o português em cima quando acabaram de aprender a língua materna e têm de encontrar o seu caminho numa língua estrangeira”, referiu o académico alemão aos jornalistas, em crioulo.

“É uma decisão que a sociedade cabo-verdiana deve tomar”, acrescentou.

“Eu, como linguista, acho que uma base solida na língua materna é o melhor ponto de partida para aprender outras línguas estrangeiras”, indicou.

Jurgen Lang abriu um dia de reunião de investigadores na edição de 2025 do Fórum da Língua Materna Cabo-Verdiana, organizado anualmente pela associação Alma-KV/CV, no âmbito do Dia Internacional da Língua Materna – que se assinala a 21 de fevereiro – e associado aos 50 anos da independência do arquipélago, que se celebrará a 05 de julho.

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, tem defendido que a efeméride deveria servir para oficializar o crioulo como língua oficial, a par do português.

Questionado sobre o assunto, Jurgen Lang escusou-se a responder: “Isso não cabe a um estrangeiro dizer, mas, se for oficializado, deve ser ao lado do português, porque essa possibilidade de comunicar com todos os países lusófonos é uma grande vantagem que não se deve perder”.

Apesar da predominância do inglês, com ajuda das novas tecnologias, o linguista aponta para a prevalência da diglossia – coexistência de duas línguas ou dialetos numa comunidade – em redor do globo e mesmo em países europeus, como a Alemanha, França ou Reino Unidos.

O crioulo cabo-verdiano é a língua materna em Cabo Verde, embora com variantes nas diferentes ilhas e nos últimos anos intensificou-se o movimento da sociedade civil a pressionar a sua elevação a língua oficial.

O artigo 9.º da Constituição da República de Cabo Verde, de 1992, define apenas o português como língua oficial, mas também prevê que o Estado deve promover "as condições para a oficialização da língua materna cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa".

Um grupo de quase 200 personalidades cabo-verdianas lançou em 2022 uma petição nesse sentido e pediu apoio do chefe de Estado para a promoção da língua. 

No mesmo ano, vários ativistas criaram a Associação da Língua Materna Cabo-verdiana para impulsionar uma "voz cada vez mais ativa" e uma "mudança" de política linguística no país.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

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jcf
19 dias atrás

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joão do rosário
21 dias atrás

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