segunda-feira, 26 outubro 2026

ONG guineense considera aviso do chefe das Forças Armadas “declaração de guerra”

Duas coligações de partidos guineenses anunciaram a realização de manifestações de rua nos próximos dias 14, 15 e 16 deste mês, o que poderá coincidir, no sábado, com o dia em que são celebrados os 60 anos das Forças Armadas.

As autoridades políticas e militares guineenses estão a projetar uma “grande cerimónia no sábado em Bissau e nesse dia os partidos agrupados nas duas coligações prometem “uma grande manifestação de rua”.

Numa conferência de imprensa esta terça-feira no Estado-Maior General das Forças Armadas em Bissau, o general Biague Na Ntan afirmou que não tolerará perturbações.

 “Fiel ao seu novo estatuto de constitucionalista de conveniência ao serviço do autoritarismo, o general Biaguê Na N´tam decidiu hoje declarar a guerra ao povo guineense”, defendeu a Liga dos Direitos Humanos.

Em comunicado, publicado na sua página oficial numa rede social, a Liga diz que as declarações do general Na Ntan visam intimidar cidadãos que apenas pretendem exercer um direito “com dignidade constitucional”.

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas disse ainda na sua conferência de imprensa que não estava a ameaçar ninguém mas avisou que sair à rua (no dia das Forças Armadas) o que encontrar será a sua sorte.

“O general Biaguê anuncia prontidão das Forças Armadas para o combate como se o país estivesse à beira de um conflito armado”, notou a Liga dos Direitos Humanos.

Para a organização dirigida pelo jurista Bubacar Turé, com aquelas declarações, Biague Na Ntan “perdeu a noção da missão constitucional” das Forças Armadas. Lembra ainda as recentes ordens de detenção de três juízes do Tribunal Militar Superior.

A Liga recorda ainda no seu comunicado um conjunto de acontecimentos políticos à margem da constituição perante os quais o chefe das Forças Armadas não se pronunciou, disse.

“Afinal, que militar republicano é o general Biaguê Na N´tam, quando ordena prontidão ao combate e dedo no gatilho para massacrar o povo desarmado”, questiona a Liga.

A organização defende que Na Ntan “levantou o véu” sobre a sua participação nas conspirações contra a democracia com as declarações por si proferidas hoje pelo que doravante passa a ser alvo de luta cívica para a restauração da democracia na Guiné-Bissau.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
18 dias atrás

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jcf
20 dias atrás

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joão do rosário
22 dias atrás

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