O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou este sábado, 17 de outubro, Donald Trump de favorecer a Rússia ao suspender um novo pacote de sanções económicas contra Moscovo. A decisão norte-americana surgiu depois de Washington ter chegado a um acordo para importar gasóleo russo e pressionado Kiev a interromper os ataques às refinarias da Rússia.
“Não creio que esta seja uma forma de travar Putin. Pelo contrário, ele fica satisfeito por ter este apoio”, afirmou, segundo CNN Portugal, Zelensky. As medidas suspensas previam penalizações contra países compradores de petróleo e gás russos, incluindo tarifas que poderiam chegar aos 100%. Trump invocou razões de interesse nacional, provocando críticas de congressistas democratas e republicanos.
O Presidente ucraniano denunciou também restrições ao acesso aos serviços de comunicações por satélite Starlink e Starshield, essenciais para operações militares e com drones. Zelensky considerou que as limitações foram deliberadas, embora Washington não tenha confirmado a acusação.
No terreno, Moscovo reivindicou a conquista de 92 localidades e mais de 1.800 quilómetros quadrados desde setembro. Os números foram apresentados pelo chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, e desmentidos por Kiev. “As Forças de Defesa ucranianas libertaram mais território desde o início do outono do que aquele que o inimigo conseguiu ocupar”, afirmou o porta-voz militar Andriy Kovaliov, acusando a Rússia de criar uma “ilusão de grandes vitórias”.
Segundo a mesma fonte, a guerra prossegue também longe das linhas da frente. Os recentes ataques russos mataram pelo menos oito pessoas, feriram cerca de 60 e atingiram instalações energéticas e zonas residenciais em várias regiões ucranianas. Mais de um milhão de pessoas ficaram temporariamente sem eletricidade, numa altura em que se aproxima o inverno. A Ucrânia mantém, por sua vez, os ataques a refinarias russas, incluindo uma instalação da Rosneft, em Ryazan.
Na frente diplomática, Zelensky pediu aos aliados europeus ajuda para cobrir um défice orçamental previsto de 70 mil milhões de euros em 2027. Em Bruxelas, os líderes europeus discutiram novas formas de financiamento, incluindo a utilização de ativos russos congelados.
Nas zonas ocupadas, a situação humanitária continua grave. Uma reportagem da Associated Press descreveu este sábado as condições em Oleshky, na região de Kherson, onde restarão menos de dois mil dos cerca de 24 mil habitantes anteriores à invasão. Muitos vivem sem eletricidade, água corrente, aquecimento ou assistência médica regular. As estradas estão minadas e continua sem acordo a criação de corredores de evacuação.

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