quinta-feira, 22 outubro 2026

Economia, imigração e aborto no centro do debate decisivo entre Harris e Trump

“Vai ter consequências. Há imensa competição neste momento por um grupo pequeno de eleitores”, disse à Lusa o cientista político Thomas Holyoke, professor na Universidade Estadual da Califórnia em Fresno. 

Após o feriado nacional Labor Day, que marcou o fim oficioso do verão e o momento em que mais eleitores começam a prestar atenção, o debate no canal ABC será uma oportunidade para Donald Trump tentar definir a oponente em termos negativos e de Kamala Harris se apresentar aos que ainda não se decidiram sobre ela. 

“Faltam menos de dois meses para as eleições”, frisou Holyoke, referindo que a votação antecipada vai começar nalguns estados. 

O formato do debate, segundo as regras divulgadas pela ABC, será de 90 minutos com dois intervalos publicitários e microfone fechado para quem não está a responder a uma pergunta. São condições inusitadas na visão do cientista político Brian Adams, professor na Universidade Estadual da Califórnia em San Diego. 

“O que acho surpreendente é que a Comissão de Debates Presidenciais, que por norma organiza os debates, foi completamente posta de lado”, disse à Lusa. “Isso dá mais poder às campanhas para decidirem as regras do debate e removerem um árbitro neutro quando discordam”, frisou. 

Moderado pelos jornalistas David Muir e Linsey Davis, o frente a frente será transmitido na ABC News Live, Disney+, Hulu e outros canais que fizeram acordo com a estação. 

Com a negociação direta, haverá pausas para anúncios. “Habitualmente, os debates não tinham publicidade”, notou o professor Brian Adams, que considera imprevisível o resultado do confronto. 

De acordo com fontes próximas dos candidatos que têm falado com alguns meios de comunicação, a estratégia de Kamala Harris será atacar os falhanços de Donald Trump enquanto presidente, desde a forma como geriu a pandemia de covid-19 à construção do muro na fronteira. 

Holyoke espera que Harris se foque também no aborto, sendo este um tema que Trump procurará evitar. O republicano procurará, ao invés, acossar Harris pela elevada inflação durante a administração Biden, da qual é vice-presidente, e a crise de imigração na fronteira. 

“A estratégia dele vai ser atacá-la”, disse o professor, apontando para debates passados em que Trump optou por ataques pessoais e tentativas de irritar os oponentes. “Não sei o que ela vai fazer, mas parece-me que a melhor estratégia será ignorá-lo completamente”.

Os candidatos chegam ao debate com Kamala Harris à frente nas intenções de voto nacionais (47% contra 43,9%) mas um empate no estado da Pensilvânia (47%) que será decisivo para a chegada à Casa Branca. Nos outros estados críticos, Harris lidera em quatro e Trump vai à frente no Arizona. No entanto, a diferença entre ambos tem sido inferior à margem de erro.

 

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
14 dias atrás

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jcf
16 dias atrás

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joão do rosário
18 dias atrás

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