sexta-feira, 16 outubro 2026

Mulheres jornalistas guineenses repudiam expulsão da colega da RTP-África de ato do Governo

Numa nota de repúdio, a que a Lusa teve acesso, a AMPROCS refere-se à “expulsão e impedimento de Indira Correia Baldé” de cobrir uma atividade do Governo no passado dia 22 de agosto, num hotel de Bissau.

O caso ocorreu quando a ministra da Saúde Pública interina, Maria Inácia Sanha, saiu da sala ao constatar a presença da jornalista, que seria mais tarde convidada a abandonar o local.

“Conforme os relatos, o assessor da ministra alegou que a ação foi tomada em cumprimento de ordens superiores", refere a nota da AMPROCS.

De acordo com Correia Baldé, o assessor da ministra informou-a que as “ordens superiores” seriam do Presidente guineense, Umaro Sissoco Embalo, segundo as quais a jornalista não poderia estar em nenhuma atividade do Governo.

A associação das mulheres jornalistas da Guiné-Bissau considera o ato “uma flagrante e inaceitável violação da liberdade de expressão e dos direitos humanos”, consagrados na Constituição e nos tratados internacionais rubricados pelo país.

A organização realça que não admite que a voz de nenhum dos seus membros seja silenciada.

“Indira Correia Baldé, além de ser uma profissional exemplar, é também membro dirigente da AMPROCS, e qualquer ataque à sua pessoa e ao exercício do seu trabalho é um ataque a todos nós”, destaca no comunicado.

A organização exige das autoridades a tomada de decisões para que atos do género não se repitam na Guiné-Bissau.

Indira Correia Baldé é presidente do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) da Guiné-Bissau que tem mantido uma relação de alguma tensão com o Presidente do país.

Umaro Sissoco Embalo disse, durante a posse de novos membros do Governo, que não deu ordens no sentido de impedir que a jornalista fizesse a cobertura das atividades do executivo, mas que a proibia de “pisar o palácio enquanto for Presidente da Republica”.

O Sinjotecs acusa o Presidente guineense de "desrespeito ao papel dos jornalistas" na sequência de vários episódios de Sissoco Embaló com profissionais de comunicação social.

Em julho, o sindicato apelou ao boicote dos jornalistas a todas as atividades de Sissoco Embaló, embora o apelo não tenha sido totalmente respeitado.

Em reação, o Presidente guineense disse que o próprio tinha boicotado os jornalistas e o seu sindicato "por ser ilegal", em alusão à caducidade do mandato da direção de Correia Baldé.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

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jcf
11 dias atrás

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joão do rosário
13 dias atrás

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