quinta-feira, 15 outubro 2026

Dia dos Oceanos: Pescadores e peixeiras pedem mais apoio ao sector e revisão de acordo com União Europeia

À Inforpress, no âmbito das celebrações do Dia Mundial dos Oceanos, assinalado anualmente a 08 de Junho, a classe manifestou a expectativa de que o novo Governo dê maior atenção ao sector das pescas, respondendo às principais reivindicações dos pescadores, peixeiras e demais profissionais da actividade.

O pescador Carlos Duarte manifestou preocupação com a presença de embarcações estrangeiras autorizadas a pescar nas águas cabo-verdianas ao abrigo do acordo de pesca com a União Europeia, considerando que a situação afecta directamente a actividade dos pescadores nacionais.

“Neste momento a nossa maior preocupação são a quantidade de barcos de estrangeiros que têm licença para pescar nos nossos mares. Queremos que este Governo dê uma atenção a esse acordo de pesca para que tenha melhorias directas na vida dos pescadores”, afirmou.

Segundo o pescador, as embarcações estrangeiras dispõem de meios para pescar em alto mar e capturam os cardumes antes de estes se aproximarem da costa, onde actuam os pescadores nacionais.

Carlos Duarte apontou ainda o aumento dos preços dos combustíveis e dos materiais de pesca como dificuldades acrescidas para o sector, além da insuficiência de gelo em períodos de maior captura.

“O gelo existe, mas quando há muito peixe e muitos barcos querem sair ao mesmo tempo não há quantidade suficiente para todos”, concretizou.

Por seu turno, o pescador Denilson Tavares apelou ao novo Governo para lançar “um novo olhar” sobre o sector das pescas, defendendo apoios aos pescadores, armadores e jovens interessados em ingressar na actividade.

O entrevistado defendeu igualmente a disponibilização de recursos financeiros para aquisição de embarcações de maior porte, permitindo aos pescadores alcançar zonas mais distantes e aumentar as capturas.

A peixeira Vanusa Moreno, por seu lado, destacou a necessidade de melhorar as condições de funcionamento do cais de pesca, nomeadamente ao nível da organização, conservação do pescado e fiscalização.

“Aqui há necessidade de um pouco de tudo para melhor funcionamento do cais e para garantir a qualidade do pescado”, disse, acrescentando que as vendeiras necessitam de melhores meios de conservação do peixe após a compra.

Sobre as expectativas em relação ao novo executivo, Vanusa Moreno afirmou esperar melhorias para os profissionais do sector, classificando-o como um “Governo do povo”, por considerar que conhece de perto a realidade vivida pelas peixeiras e rabidantes.

Por sua vez, Milena Tavares afirmou que as peixeiras enfrentam várias dificuldades no dia-a-dia, mas continuam a trabalhar por dependerem da actividade para sustentar as suas famílias.

“É aqui que viemos buscar o pão para os nossos filhos”, declarou.

A peixeira apontou ainda o custo de acesso ao cais como uma das preocupações da classe, referindo que as profissionais que ali trabalham diariamente pagam 120 escudos de entrada, enquanto outros compradores pagam 60 escudos.

Milena Tavares manifestou a expectativa de que o novo Governo adopte medidas que contribuam para melhorar as condições de trabalho das peixeiras e dos restantes intervenientes do sector das pescas.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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