sexta-feira, 16 outubro 2026

Relatório expõe isolamento social vivido pela comunidade surda na ilha de Santiago

As declarações foram feitas à Inforpress pela presidente da associação, Ângela Lopes, à margem de uma marcha realizada em Achada Santo António e que culminou com a apresentação do relatório numa mesa redonda na Assembleia Nacional, no âmbito do Dia Internacional da Família.

Segundo explicou a presidente AFAS-CV, o estudo permitiu identificar onde estão as pessoas surdas, em que contexto familiar vivem, quais as suas necessidades e também as potencialidades que podem ser desenvolvidas.

O mapeamento, conforme disse, visa localizar essas pessoas surdas, saber onde é que estão, em que família, quais as necessidades que têm, mas também quais as potencialidades que têm e que podem ser desenvolvidas.

Segundo Ângela Lopes, os dados recolhidos confirmaram aquilo que a associação já previa sobre o “enorme isolamento social” vivido pela comunidade surda.

A responsável contou que durante o trabalho de terreno a associação encontrou situações em que familiares próximos demoravam a lembrar-se da existência de uma pessoa surda dentro da própria família.

Considerou que a inclusão das pessoas surdas em Cabo Verde continua a enfrentar muitos desafios, sobretudo nas áreas da educação, saúde e integração social.

“Entramos num oceano desconhecido e a inclusão de surdos é um oceano desconhecido, principalmente aqui em Cabo Verde”, sublinhou, referindo-se também às dificuldades provocadas pela dupla insularidade do país.

A marcha realizada durante esta manhã teve, segundo elucidou, um carácter simbólico, ao colocar ouvintes de um lado e surdos do outro, representando o distanciamento vivido dentro das famílias.

No final da actividade, os participantes juntaram-se num abraço simbólico para transmitir a necessidade de maior aproximação, compreensão e inclusão das pessoas surdas no seio familiar.

A associação pretende agora dar continuidade ao projecto “Operação Resgate”, que tem como objectivo mapear todas as pessoas surdas a nível nacional e criar respostas que permitam melhorar a inclusão desta comunidade.

Ângela Lopes apelou ainda à sociedade cabo-verdiana para olhar com mais atenção para a comunidade surda e reconhecer os seus direitos e potencialidades.

“É preciso dar voz a essa comunidade, porque também têm direitos, são humanos, têm ideias, têm muita potencialidade, muito a construir”, finalizou.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
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