quinta-feira, 15 outubro 2026

Dia Mundial da Arte/Artista: Alberto Koenig aponta falta de estrutura como principal entrave à profissionalização da classe em Cabo Verde

O músico cabo-verdiano e cantautor, que falava em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial do Artista, destacou-se como criador e intérprete das suas próprias obras, numa estética que cruza influências da música cabo-verdiana com soul, MPB e sonoridades africanas contemporâneas.

O artista afirmou que “Cabo Verde é um país cheio de talento e potencial”, mas alertou para as fragilidades estruturais do setor cultural, apontando a falta de agentes culturais, managers, engenheiros de som, road managers e equipas técnicas de produção como fcatores que limitam o desenvolvimento e a profissionalização da música no país.

“O que sobra em talento é o que falta em estrutura. É como se tivéssemos pedras raras, mas não tivéssemos os metais para fazer um colar e colocar a joia”, comparou, defendendo que o principal entrave ao desenvolvimento artístico reside na ausência de suporte técnico e organizacional.

Quanto ao reconhecimento institucional, o músico reconheceu avanços, sobretudo com o debate em torno do estatuto do artista e o impacto das novas tecnologias, mas entende que, na prática, a cultura ainda é subvalorizada.

“Na teoria fala-se muito da cultura como activo estratégico de um país que não tem grandes riquezas minerais. Mas, em termos de políticas públicas e acesso, ainda há um caminho muito longo pela frente”, afirmou, apontando igualmente para a concentração e “monopolização” de festivais, sobretudo na área da música.

Para Koenig, a realidade poderá ser ainda mais difícil para artistas de outras áreas, como pintura, dança ou escultura, devido à menor visibilidade e oportunidades de mercado.

Questionado sobre o papel social do artista, defendeu que a arte deve posicionar-se e assumir uma postura activa na sociedade, embora reconheça que muitos criadores optam pela neutralidade por receio de represálias e perda de oportunidades profissionais.

“O artista tem medo de se posicionar por causa de consequências políticas. Todos nós temos contas para pagar no fim do mês”, afirmou, acrescentando que já sentiu na própria pele uma redução de oportunidades após assumir posições públicas e envolver-se em iniciativas sociais.

Apesar disso, sustentou que a arte tem uma responsabilidade social e humana que não deve ser ignorada. “Os artistas são voz. E essa voz não deve servir apenas interesses pessoais ou partidários, mas um bem maior”, defendeu.

No Dia Mundial do Artista, Alberto Koenig deixou ainda uma mensagem aos colegas de classe, incentivando-os a colocarem o seu dom ao serviço da sociedade.

“Cada pessoa vem ao mundo com um dom, e esse dom não deve servir apenas quem o tem. Se a nossa arte consegue expressar não só a nossa realidade, mas também a dos outros, então temos o dever de influenciar positivamente o mundo”, concluiu.

O Dia Mundial do Artista foi criado em homenagem ao nascimento de Leonardo da Vinci, que nasceu a 15 de Abril de 1452.

A data passou a ser celebrada como uma forma de reconhecer a importância dos artistas e das artes em todas as suas expressões, música, pintura, escultura, literatura, entre outras. 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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