quinta-feira, 15 outubro 2026

Fogo: Antropólogo faz investigação etnográfica e propõe criação de Associação para Salvaguarda do Reinado

Durante uma semana, o antropólogo e investigador desenvolveu trabalho de campo etnográfico dedicado ao Reinado, uma das mais emblemáticas manifestações religiosas e culturais da identidade foguense, acompanhando a rota do Reinado.

O trabalho incluiu observação, registo de narrativas e documentação das práticas associadas ao percurso, às rezas, às pausas e aos gestos que estruturam esta manifestação de fé e pertença comunitária.

Nesta fase da pesquisa, Carlos dos Santos acompanhou os Reinados nas localidades como Curral de Ochô e Monte Grande, para compreender, a partir da experiência directa, “como a fé é praticada no caminho” e de que forma o legado é transmitido entre gerações.

O estudo destaca ainda a importância de símbolos como o rosário, os cânticos e os objectos rituais, elementos que continuam a fortalecer laços comunitários, apesar dos riscos actuais de enfraquecimento e eventual desaparecimento da tradição.

Segundo o investigador, o trabalho é orientado por princípios éticos rigorosos, assentes na escuta activa, no consentimento informado e no respeito pela dignidade das comunidades envolvidas.

O objectivo é contribuir para a preservação da memória colectiva e a produção de conhecimento científico sólido sobre uma tradição cujo valor ultrapassa a dimensão religiosa, afirmando-se como património social e cultural da ilha e do país.

É neste contexto que surge a proposta de constituir uma associação de salvaguarda do Reinado de modo a estruturar esforços de valorização, documentação, transmissão intergeracional, criando mecanismos que garantam a sua continuidade para as futuras gerações.

Segundo Carlos dos Santos, trata-se de uma organização sem fins lucrativos e deverá ser formalizada até ao final do actual ciclo do Reinado, que termina no dia 18 de Fevereiro.

O antropólogo já recolheu assinaturas de pessoas que recebem os Reinados para que integrem a associação, que será constituída por pessoas conhecedoras da tradição interessadas e os próprios reinados.

A associação tem como missão elaborar e implementar um plano de salvaguarda, actuando na organização estrutural do Reinado em parceria com comunidades, igrejas, municípios, instituições públicas e privadas e o Estado, através do Ministério da Cultura.

Entre os eixos de intervenção destacam-se a produção de documentação com registo etnográfico, recolha de tradição oral, angariação e preservação de objectos e práticas associadas ao Reinado, formação de jovens com atribuição de bolsas.

Pretende-se ainda valorizar a tradição, evitando o risco de folclorização e promover o diálogo entre comunidades e autoridades.

Numa segunda fase, a proposta visa trabalhar no reconhecimento do Reinado como património imaterial da ilha e discutir com as autoridades a criação de bolsas de formação para jovens e a atribuição de uma pensão aos reinados com mais de 65 anos, além da criação da rota do Reinado.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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joão do rosário
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