sexta-feira, 16 outubro 2026

Vendedoras do Mercado do Platô apontam vendas moderadas no pós-Natal para passagem de ano

Entre bancas com oferta reduzida e compradores mais selectivos, vendedoras apontam os preços elevados dos produtos agrícolas, o desemprego e a emigração jovem como fatores que continuam a travar o dinamismo comercial nesta época festiva.

Durante a manhã de hoje, a Inforpress constatou que a circulação de pessoas no Mercado do Platô foi constante, porém sem grandes aglomerações, com consumidores a privilegiarem compras pontuais e em pequenas quantidades, sobretudo de produtos essenciais, tendo sido auscultadas algumas vendedeiras locais.

Tomate, pimentão, cebola e outros hortícolas continuam entre os artigos mais procurados, embora os preços variem consoante a qualidade e a disponibilidade.

Maria da Moura considera que o Natal decorreu de forma tranquila, mas com vendas abaixo das expectativas habituais para esta altura do ano.

“O Natal não esteve tão mal, graças a Deus. Quem conseguiu, conseguiu. Eu consegui vender um pouco, batata, tomate, pimentão… não foi grande coisa, mas deu para aguentar”, afirmou à Inforpress.

Segundo a vendedora, a actual tabela de preços, elevada, resulta sobretudo das dificuldades enfrentadas pelos agricultores, nomeadamente devido às chuvas irregulares que afetaram a produção e a oferta no mercado.

“O preço exagerado não é culpa só nossa. A chuva prejudicou os agricultores, levou muita coisa. É o preço que está no momento. O tomate está a 800, 700, 500 escudos, depende”, explicou, acrescentando que a retoma da produção poderá contribuir para uma descida gradual dos preços.

Quanto à véspera da passagem de ano, Maria Isabel admite que possa haver algum acréscimo na procura, ainda que limitado pelo baixo poder de compra.

“O Ano Novo tem venda, mas é pouco. É mais para quem tem dinheiro. Tem gente que nem consegue pôr nada na balança”, disse.

Opinião semelhante é partilhada por Izilita da Veiga, que classifica as vendas do Natal como “mais ou menos” e aponta factores estruturais para a fraca movimentação.

“Tudo depende do trabalho que as pessoas têm. Muita gente está a emigrar, principalmente os jovens, e isso deixa Cabo Verde preocupado. Quando os jovens vão embora, as coisas ficam mais fracas”, afirmou.

Para a vendedora, a ausência de emprego reflete-se não apenas no consumo, mas também no ambiente festivo da cidade.

“Aqui no Platô, o Natal foi triste: pouca venda, pouco produto”, referiu, defendendo maior intervenção do Estado na criação de oportunidades de trabalho.

Relativamente às perspetivas para 2026, ambas as vendedoras apontam a criação de emprego e a dinamização da economia como factores decisivos para a recuperação das vendas e para um mercado mais animado.

“Sem dinheiro, não há venda”, resume Izilita da Veiga, ao salientar que o desemprego continua a ser o principal entrave ao comércio informal.

Apesar das limitações registadas, as vendedoras do Mercado do Platô mostram-se esperançosas de que a passagem de Ano possa dinamizar as vendas, salientando, contudo, que uma retoma consistente dependerá de melhorias concretas na economia e na criação de emprego em Cabo Verde.

A recuperação das vendas, segundo apontam, está intimamente ligada à estabilidade econômica, ao aumento do poder de compra e à capacidade das famílias de participarem plenamente nas festividades.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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