quinta-feira, 15 outubro 2026

Ilha do Sal: PAICV acusa autarquia local e governação "socialmente injusta" e baseada em propaganda

Durante uma conferência de imprensa realizada na sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) em Espargos, a porta-voz sublinhou que a “falta de uma visão estratégica e sustentável” tem impedido que os benefícios da centralidade económica do Sal cheguem ao quotidiano da maioria dos cidadãos, criando um contraste entre os indicadores económicos oficiais e a vulnerabilidade social vivida nas comunidades.

Estregilda Oliveira questionou abertamente o "caso de sucesso" frequentemente apresentado pela Câmara Municipal, argumentando que esse desenvolvimento não contempla os trabalhadores que enfrentam salários baixos e precariedade, nem os jovens que, por falta de oportunidades, são forçados a emigrar.

A líder partidária alertou que o município não pode continuar a camuflar problemas graves, como o aumento do consumo de drogas e da prostituição, apenas para preservar a imagem turística da ilha, uma vez que estas questões são reflexos directos da exclusão social e da ausência de programas municipais de prevenção e reintegração.

“Não se pode esconder esse buraco tão grande da pobreza e das suas vulnerabilidades, o que tem impactos negativos para moradores e visitantes e que coloca em causa o recurso que permite não só o nosso sustento, mas o do país de uma forma geral”, sublinhou.

A situação habitacional e do saneamento básico mereceu especial destaque nas críticas do PAICV, que classificou o estado actual como "vergonhoso". 

“Em relação à habitação, a situação atingiu níveis inaceitáveis. Sal enfrenta um défice habitacional gritante. A especulação imobiliária avançou sem controle, o que empurrou os salenses para os bairros informais, como Terra Boa, onde tem vindo a crescer a construção de barracas, mas estão fingindo que não é nada”, continuou.

Além disso, descreveu um cenário de “saúde pública em risco”, com fossas a transbordar a céu aberto e uma gestão de resíduos sólidos “caótica”, que resulta na queima de lixo e na poluição das praias.

No que diz respeito à gestão do espaço público, a oposição apontou uma falta de controlo preocupante na praia de Santa Maria e na Pedonal Ildo Lobo, descrevendo esta última como uma "selva", onde os regulamentos aprovados não são cumpridos.

Segundo Oliveira, a economia da ilha permanece prisioneira de um modelo “exclusivamente dependente do turismo”, negligenciando pequenos comerciantes, pescadores e a diversificação económica necessária em sectores como a cultura e a inovação.

O diagnóstico final revelou um município “sufocado por dívidas avultadas e custos de funcionamento elevados”, o que, segundo o PAICV, exige uma mudança de rumo onde a governação seja feita para as famílias e não apenas baseada em “estatísticas e campanhas de imagem”.

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
9 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
11 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport