quarta-feira, 14 outubro 2026

Hamas denuncia "perigosa escalada" após ataques israelitas a Gaza  

 

O Exército israelita justificou tais ataques afirmando estar a ripostar ao que descreveu como disparos dirigidos a uma zona onde se encontravam soldados e que não fizeram qualquer ferido.

 Num comunicado, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), desde 2007 no poder na Faixa de Gaza, rejeitou essas acusações de disparos, dizendo tratar-se de "uma fraca tentativa para justificar (...) incessantes violações" ao cessar-fogo.

O Hamas emitiu também um apelo aos Estados Unidos, que mediaram as negociações para a trégua entrada em vigor a 10 de outubro, para "exercerem uma pressão imediata e séria para [obrigar Israel] a respeitar o cessar-fogo".

O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza é a primeira fase de um plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após negociações indiretas mediadas pelo Egito, Qatar, Estados Unidos e Turquia.

Esta fase da trégua envolveu a retirada parcial do Exército israelita para a denominada "linha amarela" demarcada pelos Estados Unidos, linha divisória entre Israel e a Faixa de Gaza, a libertação de 20 reféns em posse do Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinianos.

O cessar-fogo visa pôr fim a dois anos de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

A retaliação de Israel fez mais de 69.500 mortos - entre os quais mais de 20.000 crianças - e de 170.700 feridos, na maioria civis, segundo números hoje atualizados (com as vítimas das quebras do cessar-fogo por Israel) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

Fez igualmente milhares de desaparecidos, soterrados nos escombros e espalhados pelas ruas, e mais alguns milhares que morreram de doenças e infeções e fome, causada por mais de dois meses de bloqueio de ajuda humanitária e pela posterior entrada a conta-gotas de mantimentos, distribuídos em pontos considerados "seguros" pelo Exército, que regularmente abria fogo sobre civis famintos.

Há muito que a ONU declarou o território em grave crise humanitária, com mais de 2,1 milhões de pessoas numa "situação de fome catastrófica" e "o mais elevado número de vítimas alguma vez registado" pela organização em estudos sobre segurança alimentar no mundo, mas a 22 de agosto emitiu uma declaração oficial do estado de fome na cidade de Gaza e arredores.

Já no final de 2024, uma comissão especial da ONU acusara Israel de genocídio em Gaza e de usar a fome como arma de guerra, situação também denunciada por países como a África do Sul junto do Tribunal Internacional de Justiça, e uma classificação igualmente utilizada por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

A Semana com NM/Lusa-Foto: Reuters

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
8 dias atrás

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joão do rosário
10 dias atrás

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