sexta-feira, 16 outubro 2026

COP30: Cabo Verde é responsável por 0,0017% das emissões globais e quer países a cumprir metas - ministro

 “Cabo Verde, enquanto pequeno Estado insular em desenvolvimento, gostaria de ver os objetivos, as metas traçadas devidamente cumpridas”, afirmou à Lusa Alexandre Monteiro, que participou na cimeira de líderes que antecedeu a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que arrancaóu no dia 6 na cidade amazónica brasileira de Belém.

 

O responsável de Cabo de Verde, um arquipélago de dez ilhas no Oceano Atlântico, frisou que o país é “bastante exposto aos efeitos das mudanças climáticas”.

“Como tal, nós gostaríamos que rapidamente as medidas propostas sejam implementadas e possamos com tudo isto também sofrer menos impactos”, frisou, referindo-se aos 300 mil milhões de dólares anuais (cerca de 259,6 mil milhões de dólares) de apoio público prometido pelos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento.

 

“Nós emitimos em termos percentuais 0,0017% de emissões”, indicou o ministro da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde, reforçando que o país quer “ter acesso aos recursos necessários porque os pequenos Estados insulares em desenvolvimento necessitam muito mais”.

“Têm um maior gap entre aquilo que são as suas capacidades de implementação e aquilo que efetivamente emitem e as necessidades propriamente ditas”, sublinhou.

Durante a semana passada, na cimeira de líderes, vários estados insulares exigiram justiça climática e que durante a COP30, que arranca esta segunda-feira, e que decorre pelo menos até dia 21 de novembro, os países desenvolvidos assumam os seus compromissos.

Estes estados insulares são, por um lado, os que menos poluem, mas o que mais sofrem os impactos da emergência climática, através de fenómenos meteorológicos extremos e insegurança alimentar.

 

“É evidente que os países mais industrializados, que emitem mais, mas também são mais ricos, devem muito mais”, defendeu Alexandre Monteiro.

Outra das vozes que se insurgiu e que cobrou os países desenvolvidos para o compromisso nas próximas semanas foi a ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe, Ilza Maria dos Santos, que sublinhou que “a vulnerabilidade pode transformar-se em força” se forem garantidas a cooperação, o investimento e o respeito pelos direitos territoriais.

“Não pedimos caridade, pedimos uma aliança justa e solidária”, declarou.

Representantes de cerca de 170 países participam a partir desta segunda-feira na COP30, sendo a primeira vez que a conferência climática se realiza na maior floresta tropical do planeta, um ecossistema vital para a regulação da temperatura global, mas também um dos mais ameaçados pela desflorestação e pela mineração ilegal.

As negociações prolongar-se-ão até ao dia 21 de novembro, com possibilidade de se estenderem por mais alguns dias, em Belém, cuja preparação para esta COP30 foi marcada por graves problemas logísticos e pelos preços exorbitantes dos hotéis, que limitaram a estrutura das delegações presentes.

 

A Semana com Observador/Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
10 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
13 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport