terça-feira, 29 setembro 2026

E Economia

Portugal/Caso de morte a tiro: Sentimento de dor juntou milhares em Lisboa para pedir justiça por Odair Moniz

Organizada pelo movimento Vida Justa, a iniciativa conseguiu reunir pessoas de diferentes culturas e etnias, que desfilaram cerca de uma hora e meia entre o Marquês de Pombal e a Praça dos Restauradores, num percurso marcado por gritos de protesto, sendo a principal palavra de ordem “justiça para o Odair”.

Empunhando bandeiras vermelhas do Vida Justa, bem como de Cabo Verde (país de origem de Odair Moniz), os manifestantes também gritaram “Violência policial, violência cultural”, “os bairros unidos jamais serão vencidos” e, em crioulo cabo-verdiano, “Nu sta junta, Nu sta forti [Nós estamos juntos, nós estamos fortes]”.

Na Praça dos Restauradores, várias pessoas depositaram flores no monumento onde estava uma fotografia de Odair Moniz, além de vários participantes na manifestação terem discursado.

Entre as intervenções, pediram-se aplausos para a “união histórica” alcançada na iniciativa, com o presidente da Associação Moinho da Juventude, da Cova da Moura (Amadora), Jacklison Duarte, a deixar um pedido: “Unidos, juntos e organizados podemos ouvir a nossa voz.”

O mesmo responsável disse ainda que “nem todos os carros queimados foram queimados pela gente do bairro”.

Cláudia Simões, cidadã que acusou um agente da PSP de a agredir, numa paragem de autocarro na Amadora, em 2020, também falou no palco improvisado para dizer que passou “pelo mesmo sistema” de violência policial.

“Somos castigados e ainda saímos do tribunal como criminosos. Espero que este processo não passe em branco como o meu”, afirmou, salientando que a polícia trata as pessoas de alguns bairros “como lixo”.

A manifestação, onde estiveram algumas pessoas de cara tapada, terminou cerca das 18:00 com um minuto de silêncio.

Odair Moniz, de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro Cova da Moura, no mesmo concelho, no distrito de Lisboa, e morreu pouco depois, no hospital.

Segundo a PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial e despistou-se na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.

A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma investigação “séria e isenta” para apurar responsabilidades, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias.

A Inspeção-Geral da Administração Interna e a PSP abriram inquéritos e o agente que baleou o homem foi constituído arguido.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 21 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 13 horas atrás

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joão do rosário
26 dias atrás 20 horas atrás

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