O Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em Lisboa, acolhe na noite desta sexta-feira, 4 de setembro, a exibição do documentário “Cacica Jaqueline Haywã”, do realizador Flávio Marin. A obra acompanha a trajetória e a diáspora do povo Pataxó e da Etnia Kariri Sapuyá, destacando o papel de Jaqueline Haywã como uma das principais lideranças indígenas no contexto urbano da região do ABC paulista, no Brasil. O evento tem entrada livre.
Conforme a nota enviada ao Asemanaonline,o documentário centra-se na premissa de como a violência moldou a retoma de uma ancestralidade silenciada. Durante gerações, a identidade indígena da Cacica Jaqueline foi-lhe ocultada pela própria família pai, avó e tias , que procuravam na invisibilidade étnica e cultural uma forma de proteção e sobrevivência.
Esta herança só lhe foi revelada após o brutal assassinato do seu primo, o líder indígena Galdino Jesus dos Santos, a 20 de abril de 1997. Galdino foi queimado vivo por cinco jovens enquanto dormia numa paragem de autocarro em Brasília, onde se encontrava a lutar pela demarcação de terras do povo Pataxó Hã Hã Hãe. O crime chocou o Brasil e o mundo, transformando-se num marco da denúncia dos conflitos de terra no país.
Filmada entre Santo André e Ribeirão Pires, no estado de São Paulo, a produção audiovisual divide-se entre a memória e a celebração das vitórias políticas da comunidade:
Praça Índio Pataxó Galdino Jesus dos Santos (Santo André): Local que serve de cenário para humanizar a figura de Galdino, abordando o seu papel comunitário, as suas relações afetivas e o impacto profundo do seu homicídio na sociedade brasileira.
Aldeia Pataxó Kariri Sapuyá (Ribeirão Pires): Registo das conquistas institucionais de Jaqueline Haywã, nomeadamente a cedência de um terreno camarário para a criação de uma aldeia urbana. O espaço albergará um futuro centro cultural dedicado à preservação e manutenção das tradições do povo Pataxó.

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