terça-feira, 29 setembro 2026

Conflito no Médio Oriente vai "desacelerar" investimento no futebol

A guerra levada a cabo pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão está a ter um grande impacto na política internacional, mas também na economia, afectando todos os sectores. O desporto, especialmente o futebol na Europa muito financiado nos últimos anos por fundos de investimento do Médio Oriente, sofrerá um grande impacto já na próxima época, com eventos a serem desmarcados e muitos treinadores e jogadores a optarem sair de equipas na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos ou Qatar por razões de segurança.

Nuno Félix, scout internacional e cronista do jornal português “Record”, considerou em entrevista à RFI que esta guerra vai desacelerar o investimento no futebol e que isso pode ter consequências nos diferentes escalões desta modalidade.

"Eu creio que no próximo ano aquilo que tem sido o investimento proveniente do Médio Oriente não será significativo. E, portanto, acredito que haja aqui uma forte desaceleração, um arrefecimento do mercado, naquilo que diz respeito às transferências de jogadores e até diria mais, estes mercados do Médio Oriente criaram quase que uma segunda vida para muitos desportistas. Vamos considerar o tempo expectável para um jogador de futebol estar ao mais alto nível, podemos dizer que para a esmagadora maioria dos jogadores, aos 33, 34 anos estarão no seu derradeiro ano de contrato ou perto disso. Estes mercados criaram uma segunda vida para estes jogadores e se ao início só contratavam jogadores já em final de contrato, mesmo oferecendo verbas milionárias, ultimamente estavam inclusivamente a pagar transferências por estes jogadores, que era uma coisa que nunca tinha acontecido e portanto era novamente aqui mais um influxo extra financeiro que na prática acabava por escorrer aqui sobre os os clubes europeus", explicou este especialista em trasacções no mundo do futebol.

O Campeonato do Mundo de futebol masculino, que decorre este ano nos Estados Unidos, Canadá e México também será afectado por este conflito, já que o Irão – apurado para a prova – não deverá participar. Para Nuno Félix trata-se apenas de mais uma ocasião em que a FIFA mostra que o que impera no Mundo do futebol são os países que mais contribuem financeiramente e não o desporto em si.

"A FIFA já deu provas ao longo dos últimos anos que está essencialmente focada no crescimento económico e no crescimento da modalidade e, portanto, não necessariamente na valorização dos valores do desporto e da universalidade e do humanismo. Por muito que tenha feito e na minha opinião, tem feito, por exemplo, no combate ao racismo, creio que o futebol e a FIFA têm tem estado muito bem nesse nesse plano. Mas, claramente, já na última edição do Campeonato do Mundo foi praticamente uma aberração do ponto de vista desportivo", concluiu o scout referindo-se ao Mundial de 2022 que aconteceu no Qatar.

A Semana com RFI

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 9 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 2 horas atrás

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joão do rosário
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