terça-feira, 29 setembro 2026

OMCV defende maior envolvimento masculino nas tarefas domésticas para reduzir sobrecarga feminina

Em entrevista à Inforpress, no âmbito das comemorações do mês da mulher cabo-verdiana, assinalado a 27 de Março, Eloisa Gonçalves destacou que a partilha igualitária das tarefas domésticas é fundamental para reduzir a sobrecarga feminina, que tem afectado as mesmas na igualdade de oportunidades e no bem-estar no seio familiar.

Segundo a responsável, não se trata de “ajudar” a parceira, mas sim de “assumir responsabilidades partilhadas” dentro do lar. “Se um homem vive com uma mulher na mesma casa, deve contribuir na divisão das tarefas. É uma questão de parceria e de trabalho conjunto”, afirmou.

A presidente da OMCV alertou que a sobrecarga doméstica limita o tempo disponível das mulheres para participação cívica, política e comunitária, além de afectar a sua saúde mental e perpetuar situações de pobreza e desigualdade.

Neste sentido, defendeu a importância da educação desde cedo dos meninos para “desconstruir a ideia” de que as tarefas domésticas são “exclusivamente femininas”, bem como a necessidade de sensibilizar homens e mulheres para uma distribuição mais justa dessas responsabilidades.

“É necessário essa distribuição de tarefas para um mundo mais justo, igualitário e que as mulheres realmente consigam estar numa situação de igualdade e de equidade”, advogou.

Eloisa Gonçalves reconheceu que muitos homens cabo-verdianos foram educados num ambiente machista e patriarcal, em que o papel feminino estava associado ao cuidado da casa e da família, enquanto o homem era visto como provedor.

Contudo, considerou que actualmente este cenário tem vindo a mudar, exigindo uma adaptação de mentalidades, porque, segundo explicou, antigamente era somente os homens que eram provedores, mas que hoje em dia, as mulheres também são provedoras.

A responsável da OMCV salientou ainda, que o envolvimento masculino deve ser promovido através do diálogo e da comunicação, aconselhando que não pode ser de uma “forma agressiva e de obrigatoriedade”.

“É importante que os homens compreendam que participar nas tarefas domésticas não afecta a sua masculinidade. Hoje, tanto homens como mulheres contribuem para o sustento da família, pelo que essa igualdade deve reflectir-se também dentro de casa”, concluiu.

Segundo os dados preliminares do estudo sobre o “Uso do Tempo e Trabalho Não Remunerado (TNR) – 2024”, realizado no quarto trimestre de 2024 pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), em parceria com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), cerca de 90% das mulheres cabo-verdianas continuam a assegurar a maior parte do trabalho não remunerado com uma média semanal de 22 horas e 42 minutos, sobretudo nas tarefas domésticas e cuidados familiares.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
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joão do rosário
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