quinta-feira, 18 junho 2026

A ATUALIDADE

Santo Antão: Festival Sete Sóis Sete Luas e o Centrum da Ribeira Grande precisam de um orçamento próprio – director

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O Festival Sete Sóis Sete Luas e o recém-remodelado Centrum da Ribeira Grande, em Santo Antão, necessitam de um orçamento próprio para assegurar uma programação “regular, estável e digna”, considerou esta terça-feira o director do evento.

Marco Abbondanza sublinhou, à margem do regresso do festival à cidade que o viu nascer, que a previsibilidade financeira é uma questão “de dignidade e de justiça cultural”, indispensável para garantir o acesso à arte e à criação a todos os ribeira-grandenses, aos santantonenses e também aos turistas que visitam a ilha.

O responsável frisou que o pedido de apoio orçamental ao Governo “não é a favor” da Associação Sete Sóis, mas “exclusivamente da Ribeira Grande e dos seus artistas”, defendendo que o Centrum deve afirmar-se como “o cartão de visita cultural” da ilha.

Para o director, a cidade “tem direito a um centro cultural à altura das grandes capitais europeias”, um espaço permanente para os seus artistas e ponto de encontro entre criadores locais e internacionais.

“Isso seria um ganho coletivo para a cultura, para o turismo e para a economia local”, observou.

Marco Abbonanza recordou ainda que o projeto foi distinguido em 2009 com um prémio internacional de 50 mil euros, entregue na presença dos Prémios Nobel José Saramago e Dario Fo, “prova do valor e do reconhecimento do trabalho desenvolvido”.

Apesar de reconhecer a “forte vontade política” da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Marco Abbondanza apelou ao Governo para que o Centrum seja reconhecido como “um projeto estratégico nacional”, com verba própria no Orçamento do Estado de 2026.

“Não é apenas uma decisão económica, é um sinal político e cultural de grande alcance”, afirmou.

O diretor revelou também que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, já manifestou sensibilidade para o projecto e assegurou que a Associação Sete Sóis está preparada para uma gestão autónoma, sem custos internacionais, recorrendo a jovens técnicos locais para dinamizar o espaço durante todo o ano.

O regresso do Festival à Ribeira Grande, após um ano de pausa, motivado pela requalificação do Centrum, é visto por Abbondanza como “um reencontro com a história e com a alma da cidade”.

Marco Abbonanza lembrou os “momentos mágicos de 1998”, quando o evento levou corridas de cavalos, embaixadores e multidões às ruas da cidade, num entusiasmo que, segundo diz, “ainda ecoa na memória colectiva”.

Visivelmente comovido com a reabertura do espaço cultural, evidenciou a relação “profundamente enraizada” entre o Festival e a Ribeira Grande, sublinhando que o projeto simboliza “o compromisso com a descentralização cultural e o direito das comunidades locais a uma programação artística contínua e de qualidade”.

“Santo Antão é uma ilha cultural por excelência e merece um centro à altura da sua alma artística”, concluiu.

Criado há mais de três décadas, o Festival Sete Sóis Sete Luas desenvolve actividades culturais em mais de 30 cidades da Europa, África e América Latina.

Em Cabo Verde, mantém centros culturais nas ilhas da Brava, Fogo, Maio e agora de novo na Ribeira Grande, Santo Antão.

 

A Semana com Inforpress

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