quarta-feira, 17 junho 2026

A ATUALIDADE

Segundo inquérito nacional sobre tabagismo entre jovens revela preocupantes indicadores de iniciação precoce

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Os resultados do II Inquérito Global sobre o Tabagismo no Seio dos Jovens (GITS) em Cabo Verde, realizado em 2023, acendem um alerta sobre o consumo e a exposição ao tabaco entre estudantes de 13 a 15 anos.

 

“Cerca de 8,9% dos estudantes inquiridos faziam uso actual de tabaco na altura do levantamento, com 2,1% a referir ao uso frequente de cigarros. Um dos dados mais alarmante” prende-se com a idade de iniciação, em que 14,5% dos alunos disseram ter começado a consumir tabaco aos 7 anos ou menos”, apresentou.

 

 

Apresentado na ilha do Sal pela coordenadora técnica do inquérito, Eloisa Borges, o estudo, que abrangeu 1.647 alunos dos 8.º, 9.º e 10.º anos de escolaridade com idades entre os 13 e os 15 anos, revelou um “panorama inquietante” sobre o consumo e a exposição ao tabaco entre a juventude cabo-verdiana.

O inquérito, cujo primeiro ciclo remonta a 2007, e cuja segunda edição foi adiada para 2023 devido à Covid-19, estabelece “evidências quantificáveis” de que o tabaco é um problema sério neste grupo etário.

“Cerca de 8,9% dos estudantes inquiridos faziam uso actual de tabaco na altura do levantamento, com 2,1% a referir ao uso frequente de cigarros. Um dos dados mais alarmante” prende-se com a idade de iniciação, em que 14,5% dos alunos disseram ter começado a consumir tabaco aos 7 anos ou menos”, apresentou.

Ao somar os que iniciaram aos 10 ou 11 anos, o número eleva-se para quase 40% do total, um indicador que exige uma “reflexão séria e a aplicação de políticas que travem esta precocidade”.

O uso do cigarro electrónico também se destaca como uma nova ameaça, com 6,6% dos jovens a serem utilizadores actuais e 17,9% a terem já experimentado.

“A exposição ao fumo passivo é outro ponto de grande preocupação, revelando um risco significativo para a saúde dos não fumadores”, continuou.

Conforme explicou Eloisa Borges, enquanto 13,8% dos alunos estão expostos ao fumo de tabaco em casa, o ambiente escolar viu um aumento substancial na exposição, sendo que 34,4% dos estudantes reportaram estar expostos ao fumo na própria escola, um crescimento de quase 10% em relação aos dados de 2017.

A questão do acesso ao tabaco por menores também veio à tona, com 29,5% dos jovens a afirmar comprar o produto numa loja e 38,8% a consegui-lo através de terceiros, levantando “sérias questões” sobre a fiscalização da venda a menores. 

Contudo, continuou a mesma fonte, com base no estudo, “existe uma esperança no desejo de mudança” em que 64,5% dos alunos fumadores tentaram deixar de fumar no último ano, e 26,2% referiram que as advertências sanitárias nos maços de cigarro os desaconselham de começar.

Face a estes resultados, a equipa do estudo, que integrava elementos da OMS e dos Ministérios da Educação e Saúde, avançou com diversas recomendações cruciais.

A principal delas é a “necessidade de realizar o inquérito periodicamente, a cada cinco anos”, para munir os decisores de dados actualizados.

Além disso, a equipa insiste na necessidade de divulgação e aplicação efectiva da nova lei do tabaco no país, na inclusão do tema no currículo escolar e numa forte sensibilização de pais e comunidade sobre o fumo passivo em casa e as tácticas da indústria do tabaco.

“É imperativo que as autoridades ajam para proteger os jovens, sensibilizando-os para os reais riscos dos cigarros, incluindo os electrónicos, e colmatando as lacunas regulamentares que permitem a publicidade e a promoção indevida de produtos de tabaco”, concluiu.

A Semana com  Inforpress

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