Um sobreaquecimento dos travões esteve na origem do despiste de um autocarro por uma encosta na ilha do Fogo, Cabo Verde, que matou 25 pessoas em setembro, anunciou hoje a comissão de inquérito criada pelo Governo.
O acidente causou ainda 13 feridos e foi uma das maiores tragédias rodoviárias do arquipélago.
"A causa direta e determinante identificada pela Comissão é a perda total de eficácia de travagem por fadiga térmica severa", referiu, segundo NM que cita Lusa, Emanuel Almeida, diretor-geral dos Transportes Rodoviários em Cabo Verde.
O acidente ocorreu na estrada que liga Campanas de Cima a Chã das Caldeiras, que fica a norte do Município de São Filipe. Além de 25 mortos, causou 13 feridos e foi considerado uma das maiores tragédias rodoviárias do arquipélago.
Sobre o condutor da viatura, o relatório, segundo a Inforpress, afastou a hipótese de negligência voluntária e de uma crise hipoglicémica incapacitante, apesar de este ser diabético. De acordo com o relatório, a tragédia resultou de uma conjugação de factores mecânicos, humanos, rodoviários e administrativos.
O acidente envolveu uma viatura de transporte colectivo de passageiros no troço entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima, mais concretamente no sítio conhecido por Ribeira Lachido.
Conforme o director-geral dos Transportes Rodoviários, Emanuel Almeida, citado pela Inforpress, a viatura transportava 38 passageiros, apesar de ter capacidade para apenas 30.
O relatório aponta ainda o sobreaquecimento dos travões durante uma descida prolongada, que provocou a dilatação dos tambores, a perda de atrito e, consequentemente, da capacidade de travagem.
De acordo com a Inforpress, a investigação identificou também “desgaste severo e alterações artesanais no sistema de travagem”, incluindo “soldaduras e adições metálicas”, que modificaram a geometria original, a ausência de travão auxiliar por escape e anomalias no sistema direccional.
A medição dos tambores de travão registou 325 milímetros acima do limite máximo de 322 milímetros indicado no relatório.
Sobre o condutor da viatura, o relatório afastou a hipótese de negligência voluntária e de uma crise hipoglicémica incapacitante, apesar de este ser diabético.
O inquérito apurou ainda que a última inspecção da viatura foi realizada a 30 de Novembro de 2025, com validade até 28 de Fevereiro de 2026, encontrando-se caducada há cerca de seis meses, à data do acidente.
Para a mesma fonte, a falta de barreiras metálicas, muros ou outros sistemas de contenção passiva na estrada foi igualmente apontada como uma vulnerabilidade.
Recomendações para mais segurança rodoviária no Fogo
De acordo ainda com o relatório citado pela Inforpress, a tragédia resultou de uma conjugação de factores mecânicos, humanos, rodoviários e administrativos.
Entre as recomendações para prevenir acidentes semelhantes, constam a instalação de um centro de inspecção permanente na ilha do Fogo, a introdução de tacógrafos digitais, o reforço da fiscalização, o controlo do peso e do número de passageiros e a imobilização de veículos sem condições de segurança.
O documento defende também uma formação mais especializada dos condutores, sobretudo na gestão térmica dos sistemas de travagem.
Recordade-se que o acidente aconteceu a 05 de Setembro, durante um passeio com jovens estudantes e outros passageiros.
O autocarro saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros.
A comunidade tem beneficiado de apoio psicológico, inclusivamente no meio escolar, entre outras medidas de apoio por parte das autoridades nacionais e locais, outras entidades nacionais e estrangeiras.

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