quinta-feira, 10 setembro 2026

P Política

Legislativas 2026: CNE reafirma dever de neutralidade das entidades públicas e órgãos de comunicação em período eleitoral

A CNE alerta que a continuidade de divulgações institucionais associadas à promoção de obras, projectos ou acções governativas pode ser interpretada como favorecimento indirecto de candidatos ou forças políticas.Por isso, recomendou ao Governo que restrinja tais publicidades ao estritamente necessário e suspenda a publicidade institucional relacionada com campanhas de promoção de obras, projectos ou serviços públicos que possam traduzir-se no reconhecimento público do partido político ou de individualidades que integram o Governo e que possam vir a ser potenciais candidatos nas próximas eleições, a partir do dia 18 de Março de 2026.

 

 A posição do órgão regulador das eleições consta de uma deliberação datada de 13 de Março, após uma queixa apresentada pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV - oposição).

O partido da oposição acusava diversos ministérios, organismos públicos, a própria agência Inforpress e um eleito municipal de São Vicente de utilizarem meios públicos para favorecer politicamente o partido no poder.

Na sua análise, a CNE concluiu que, embora os factos descritos não configurem uma violação directa da proibição de publicidade comercial, prevista no artigo 113.º do Código Eleitoral, a forma como certos actos governativos são difundidos pode enquadrar-se no conceito de "publicidade institucional".

A Comissão advertiu que, apesar de esta matéria carecer de regulamentação específica, a continuidade dessas práticas, nos moldes apresentados, pode violar o princípio da neutralidade e imparcialidade das entidades públicas, consagrado no artigo 97.º do Código Eleitoral.

No entendimento da CNE, durante o período eleitoral, as entidades públicas estão obrigadas a pautar a sua actuação por estrita neutralidade e imparcialidade, abstendo-se de qualquer prática que possa, directa ou indirectamente, favorecer ou prejudicar concorrentes ao processo eleitoral.

A deliberação destaca que, embora não tenha sido comprovada violação directa da proibição de publicidade comercial prevista no Código Eleitoral, determinadas práticas podem configurar publicidade institucional com potencial impacto político.

Neste sentido, a CNE alerta que a continuidade de divulgações institucionais associadas à promoção de obras, projectos ou acções governativas pode ser interpretada como favorecimento indirecto de candidatos ou forças políticas.

Por isso, recomendou ao Governo que restrinja tais publicidades ao estritamente necessário e suspenda a publicidade institucional relacionada com campanhas de promoção de obras, projectos ou serviços públicos que possam traduzir-se no reconhecimento público do partido político ou de individualidades que integram o Governo e que possam vir a ser potenciais candidatos nas próximas eleições, a partir do dia 18 de Março de 2026.

A Semana com Inforpress

Ocultar formulário

5000 caracteres restantes


Colunistas

José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
03 Aug. 2026
5 de julho: uma Nação que já...
  O dia 5 de julho deveria tornar-se a Grande...

Comentários

joão do rosário
3 dias atrás 22 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
5 dias atrás 15 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
7 dias atrás 21 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport