“A dificuldade principal é o acesso ao capital financeiro”, disse Hergui Luina Alves.
Segundo a presidente da Associação Empresarial das Mulheres de Timor-Leste (AEMTL), as mulheres timorenses ainda têm, por exemplo, dificuldades em ser proprietárias de terrenos, que lhes poderia permitir ter património para obterem crédito junto das instituições financeiras.
Mas, continuou, as mulheres empresárias timorenses também continuam a ter dificuldades de acesso ao ensino superior e “não têm literacia financeira” e “conhecimentos em gestão financeira”.
“Com uma sociedade patriarcal, a liberdade das mulheres para participarem em atividades e fazer negócios também não é fácil”, salientou a presidente da Associação Empresarial das Mulheres de Timor-Leste.
Hergui Luina Alves falava à Lusa no final da cerimónia de lançamento da página oficial na Internet da AEMTL, apoiada no âmbito do projeto “Parceria para o Reforço da Governação Urbana, Inclusão Social e Promoção do Empreendedorismo em Díli”, financiado pela União Europeia.
Com cerca de 400 associadas em todo o território nacional, a AEMTL tem como principal objetivo fortalecer as mulheres empresárias, apoiando-as na gestão e promoção dos seus negócios, incluindo através do estabelecimento de parcerias internacionais.
No âmbito do projeto de reforço da governação urbana implementado pela União das Capitais de Cidades de Língua Portuguesa (UCCLA), Autoridade Municipal de Díli e Câmara Municipal de Lisboa, as empresárias timorenses também têm recebido formação em empreendedorismo.
As empresárias de Timor-Leste operam essencialmente nos setores da agricultura, construção, produção e processamento alimentar, serviços, hidrocarbonetos, ambiente e turismo.
A secretária de Estado da Igualdade de Timor-Leste, Elvina Sousa Carvalho, afirmou, na semana passada, nas Nações Unidas, durante a sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, que o país tem tido “sucesso” em cumprir com a promoção da igualdade do género, exemplificando com o número de mulheres presentes quer no parlamento, quer no Governo, como também nas lideranças municipais.
Segundo o Índice Global de Disparidade de Género de 2023, Timor-Leste encontra-se na 95.º posição entre 146 países em questões de desigualdade entre homens e mulheres.
No que se refere à participação económica, o índice demonstra que o país surge na posição 120.
A Semana com Lusa
19 de Março de 2024

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