quarta-feira, 07 outubro 2026

Leão XIV pede aos migrantes que se integrem, aprendam a língua e respeitem as leis dos países de acolhimento

Também falou para os que organizam "rotas de morte" e exploram os migrantes. "Por cada vida perdida, cada família enganada, cada corpo subjugado, cada mulher ameaçada, cada trabalhador explorado, tereis de comparecer perante a justiça divina", afirmou.

"Integrar é um caminho recíproco: quem chega aprende a habitar uma nova terra, e quem acolhe aprende a abrir a sua própria casa sem diluir a sua identidade nem fechar o coração ao encontro. A vós, queridos irmãos migrantes, cabe uma parte nobre e necessária deste caminho: abrir-vos com confiança à comunidade que vos acolhe, aprender a sua língua, respeitar as suas leis, conhecer os seus costumes, participar na vida comum e oferecer com gratidão os vossos dons", disse o papa num discurso para os migrantes em La Laguna, Tenerife, no último dia da viagem apostólica a Espanha.

"Toda a sociedade acolhedora tem deveres para com aqueles que chegam; e quem é acolhido descobre também que a dignidade, reconhecida como um direito, floresce quando se transforma em responsabilidade e num desejo sincero de construir em conjunto com os outros", acrescentou Leão XIV.

O papa lembrou que os migrantes, "após viagens difíceis e, por vezes, várias tentativas (...) procuram alguém que lhes diga, mais com ações do que com palavras: a tua vida não é um descarte, o teu sofrimento não é invisível, a tua dignidade não se dissolveu nas águas que atravessaste".

"Mas procuram também algo mais: uma possibilidade concreta de recomeçar, de aprender, de trabalhar, de servir, de participar, de não permanecerem para sempre confinados à condição de vítimas", referiu.

Numa mensagem às comunidades que acolhem os migrantes, o papa defendeu que "cada vida perdida nestas rotas é um fracasso para a família humana. Não obstante, existe também um naufrágio silencioso após a chegada: encontrar-se sozinho numa cidade, sem língua, sem laços, sem trabalho, sem confiança e exposto àqueles que se aproveitam da vulnerabilidade. Integrar é impedir esse segundo naufrágio." 

Também falou para os que organizam "rotas de morte" e exploram os migrantes. "Por cada vida perdida, cada família enganada, cada corpo subjugado, cada mulher ameaçada, cada trabalhador explorado, tereis de comparecer perante a justiça divina", afirmou.

O papa visitou mais cedo o centro de acolhimento Las Raíces (as raízes) em San Cristóbal de La Laguna, onde ouviu os relatos dos migrantes, terminando a viagem a Tenerife e a Espanha com uma missa no porto de Santa Cruz.

 

A Semana com Diário de Notícias

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
   Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
30 dias atrás 14 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
1 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
3 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport