quinta-feira, 08 outubro 2026

Indigitação novo primeiro-ministro: UCID manifesta reservas sobre escolha de Francisco Carvalho

João Santos Luís, presidente da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID) falava à imprensa após uma audiência online com o chefe de Estado, José Maria Neves, no âmbito das consultas para a indigitação do novo primeiro-ministro na sequência das eleições legislativas de 17 de Maio.

Segundo o líder da UCID, a responsabilidade pela eventual nomeação de Francisco Carvalho caberá ao Presidente da República, tendo em conta que o ex-autarca é alvo de um processo que envolve suspeitas relacionadas com o exercício de funções na Câmara Municipal da Praia.

“Nós não podemos ter um primeiro-ministro suspeito de crimes no exercício de função”, declarou João Santos Luís, sublinhando, contudo, que não existe, até ao momento, qualquer condenação ou acusação formal contra Francisco Carvalho.

O presidente da UCID referiu que os documentos tornados públicos pela Procuradoria-Geral da República fazem referência à existência de suspeitas, situação que, no seu entendimento, deve merecer “especial atenção” devido à relevância do cargo de chefe do Governo.

Durante o encontro com José Maria Neves, João Santos Luís abordou igualmente a questão da “indigitação do primeiro-ministro”, defendendo que o procedimento seguido pelo Presidente da República não encontra respaldo directo na Constituição.

De acordo com o dirigente partidário, os artigos 135.º, 153.º e 194.º da Constituição apontam para a necessidade de primeiro serem empossados os deputados eleitos para a Assembleia Nacional, antes da escolha do chefe do Governo.

“Nestas eleições não se elegeu um primeiro-ministro. O que os cabo-verdianos elegeram foram os deputados à Assembleia Nacional”, sustentou.

João Santos Luís disse  esperar que, “caso venha a ser nomeado primeiro-ministro, Francisco Carvalho demonstre disponibilidade para levantar a imunidade inerente ao cargo, caso venha a ser acusado ou condenado, de forma a responder perante a justiça e a tranquilizar os cabo-verdianos”.

Neste particular, o presidente da UCID  citou exemplos internacionais, apontando o caso de Portugal, onde, segundo referiu, simples suspeitas envolvendo governantes podem desencadear processos de demissão.

Apesar das reservas manifestadas, João Santos Luís garantiu não pretender fazer julgamentos antecipados, defendendo apenas a preservação da imagem de Cabo Verde como um País de boa governação e de sólidas instituições democráticas.

“Não queremos crer que suspeitas venham a sujar a imagem que o País tem construído até hoje”, concluiu.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
1 dias atrás

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jcf
2 dias atrás

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joão do rosário
5 dias atrás

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