sábado, 10 outubro 2026

Crioulidades atlânticas interpelam a uma reflexão sobre as múltiplas identidades – vice-reitora da Uni-CV

Elga Carvalho falava na abertura do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, que se realiza de hoje até sábado, 30, na cidade da Praia, sob o lema “Edificar pontes, construir um futuro melhor”, numa iniciativa promovida pela Presidência da República em parceria com a Uni-Cv.

Segundo Elga Carvalho, numa altura em que “o mundo parece erguer novos muros físicos, culturais e simbólicos”, Cabo Verde escolhe continuar a construir pontes, defendendo a crioulidade não apenas como memória histórica, mas como “uma poderosa lição de humanidade, convivência e futuro partilhado”.

A vice-reitora considerou que Cabo Verde ocupa um lugar singular no espaço atlântico, por ter conseguido transformar a diversidade de povos e culturas numa riqueza cultural e humana única.

“Se há um lugar no mundo onde diferentes culturas aprenderam a transformar diversidade em identidade, sofrimento em resistência e encontros em esperança, esse lugar é Cabo Verde”, contextualizou, defendendo que as crioulidades atlânticas possuem relevância académica, cultural e humana.

Elga Carvalho explicou que o Atlântico deixou de ser apenas um espaço geográfico para se tornar num território de contactos, conflitos, mestiçagens e criações culturais que moldaram profundamente o mundo moderno.

Neste contexto, realçou o surgimento de várias formas de crioulidade, nomeadamente linguísticas, culturais, musicais, religiosas, literárias e políticas, tanto continentais como insulares.

Segundo Elga Carvalho, a identidade cabo-verdiana nasceu do encontro entre culturas, línguas, memórias e civilizações, desenvolvendo-se como uma identidade aberta, mestiça, resiliente e dialogante.

Por isso, reforçou que a crioulidade deve ser entendida não apenas como mistura cultural, mas também como um processo histórico de criação de novas formas de existir, pensar e construir comunidades.

A vice-reitora lembrou, contudo, que as crioulidades nasceram igualmente em contextos marcados por desigualdades históricas, pelo que reflectir sobre o conceito implica reconhecer memórias dolorosas e heranças complexas.

Na ocasião, aproveitou para enaltecer o contributo da literatura cabo-verdiana para a compreensão das experiências atlânticas, evocando autores como Baltasar Lopes e Manuel Lopes, bem como a geração Claridade, que inseriu Cabo Verde nos debates sobre identidade, colonialidade e modernidade.

O evento reúne académicos, artistas, pensadores, jovens e a diáspora.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
2 dias atrás

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jcf
4 dias atrás

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joão do rosário
6 dias atrás

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