quarta-feira, 14 outubro 2026

Boa Vista: “Caos e abandono" no aeroporto, passageiros retidos denunciam falta de assistência

Num “cenário de indignação e desespero” no Aeroporto Internacional Aristides Pereira, alguns passageiros, nacionais, imigrantes e turistas, deram o seu testemunho sobre a situação, alguns afirmaram que estão a ser "tratados como animais".

Ingoni Sou, passageiro diabético que viajava para uma consulta médica em Dacar (Senegal), relatou que estava sem comer desde o meio-dia.

"Se eu morrer, o que vai acontecer? Eles abandonaram a gente, como se fossemos animais, eu não sou um animal, mesmo um animal, se for educado, não se abandona assim", desabafou, questionando quem assumirá a responsabilidade caso aconteça algo mais grave com a sua saúde.

O sentimento é partilhado por Inácio Pereira, pintor profissional, que vê o seu sustento em risco por não poder deslocar-se à capital, onde alega que também alguns trabalhadores ficaram retidos, pelo que lamenta o prejuízo económico.

"Estamos aqui sem almoço, sem nada. Todos temos compromissos e taxas para pagar. Quem nos dá satisfação", questionou Inácio Pereira.

O problema também atingiu o sector turístico e Carolina Troni, turista retida no aeroporto desde domingo, 25, contou que os passageiros foram mantidos em autocarros até às duas da manhã, altura em que foram informados de que não haveria hotel nem água para higiene. 

E que depois de terem dormido no autocarro hoje afirmou que ainda chamaram a polícia para tirá-los do aeroporto.

"É ilegal. A polícia queria que saíssemos para a rua. Não há hotéis (...) onde vamos dormir? Na rua?", denunciou a turista.

António Pires, outro passageiro afetado, descreveu um ciclo de "falsas esperanças" em que os atrasos eram comunicados de hora a hora apenas para manter as pessoas retidas no terminal.

"Nos deixaram à deriva. Estamos aqui há mais de 12 horas e a única solução que apresentam é chamar a polícia para nos tirar daqui", afirmou.

Segundo os passageiros, os funcionários da TACV abandonaram o aeroporto sem prestar qualquer esclarecimento ou garantir o transporte e alojamento, que estão previstos na lei da Agência de Aviação Civil (AAC).

A Inforpress tentou contactar os referidos funcionários da Cabo Verde Airlines na Boa Vista, através dos números disponibilizados, sem nenhuma resposta, confirmando a queixa dos passageiros de que o número de apoio fornecido pela companhia estava inactivo.

Os passageiros que não conseguiram viajar tiveram que abandonar o espaço do aeroporto que já estava no horário noturno de encerramento, ficando por sua conta e sem assistência básica.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
8 dias atrás

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joão do rosário
11 dias atrás

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