terça-feira, 29 setembro 2026

Moçambique/Ataques: Forças militares da SADC iniciaram retirada de Cabo Delgado

“Sexta-feira, dia 05 de abril de 2024, marca o início da retirada da força SAMIM. O contingente retirado de Cabo Delgado foi o do Botsuana, que tinha chegado à área da missão em outubro de 2023”, refere a missão da SADC em Moçambique, numa nota divulgada hoje.

A saída do contingente do Botsuana foi marcada por uma cerimónia militar na província de Cabo Delgado.

“Entre outras realizações do mandato do SAMIM, o contingente do Botsuana participou numa operação ofensiva para neutralizar os terroristas e realizou projetos de impacto rápido. Estas atividades fizeram com que um número significativo de Pessoas Deslocadas Internamente (PDI) regressasse à sua vida normal”, acrescenta-se na nota.

A missão da SADC em Moçambique está em Cabo Delgado desde meados de 2021 e, em agosto de 2023, a SADC aprovou a sua prorrogação por mais 12 meses, até julho de 2024, prevendo um plano de retirada progressiva das forças dos oito países da região que a integram.

A SAMIM compreende tropas de oito países contribuintes da SADC, nomeadamente Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Maláui, África do Sul, República da Tanzânia e Zâmbia, “trabalhando em colaboração com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e outras tropas destacadas para Cabo Delgado”.

O Governo moçambicano assumiu em 26 de março que a condição atual da guerra contra rebeldes na província de Cabo Delgado justifica a saída daquela missão militar.

“A situação em que nós nos encontramos agora é muito diferente daquela em que nós estávamos quando esta força veio a Moçambique. A situação atual já justifica que se acione a sua retirada”, declarou Filimão Suaze, porta-voz do Governo moçambicano, momentos após uma reunião do Conselho de Ministros, em Maputo.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicana anunciou em 23 de março que as tropas da SADC vão abandonar o país devido a limitações financeiras.

“A SAMIM está a enfrentar alguns problemas financeiros e nós [Moçambique] também temos de tomar conta das nossas tropas e teríamos dificuldades em pagar pela SAMIM. Os países não estão a conseguir colocar o dinheiro necessário”, declarou Verónica Macamo.

Segundo o porta-voz do Governo, a retirada da tropa da SADC esteve sempre na mesa e nada impede o Governo de voltar a solicitar a missão, caso julgue necessário.

“Estas missões sempre têm um prazo, para o início e para o seu término (…). Esperamos que todos os pressupostos sejam observados para, até ao final de julho, esta força tenha regressado, nada obstando que, entendendo haver necessidade do seu regresso a Moçambique, assim o seja”, acrescentou o porta-voz do executivo moçambicano.

A província de Cabo Delgado enfrenta há seis anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência, que desde dezembro de 2023 voltou a recrudescer com vários ataques às populações e forças armadas, levou a uma resposta militar desde julho de 2021, com apoio primeiro do Ruanda, com mais de 2.000 militares, e da SADC, libertando distritos junto aos projetos de gás.

A Semana com Lusa

 

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 17 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 10 horas atrás

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joão do rosário
26 dias atrás 16 horas atrás

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