segunda-feira, 05 outubro 2026

Comportamento antissocial de jovens timorenses revela fracasso das “principais instituições” - ONG

Num artigo denominado “A crise da juventude timorense como fracasso institucional na promoção da responsabilidade, criatividade e inclusão”, divulgado sexta-feira, a Fundação Mahein (FM) refere que aquele comportamento está ligado ao “fracasso das principais instituições em incutir um sentido de responsabilidade e propósito na geração jovem”.

Em causa estão atos de violência, desrespeito pelas instalações públicas e pela lei, perpetrados por grupos de jovens, quer na capital do país, em Díli, como nos restantes municípios de Timor-Leste.

Salientando que a “falta de oportunidades de trabalho”, a “educação inadequada” e próprio passado do país, com “conflitos violentos”, “impulsionam aqueles fenómenos”, a FM defende um papel “mais ativo” de apoio aos jovens, quer do Governo, quer da Igreja Católica, como da família.

Para a FM, a “geração de líderes de 1975 negligenciou a sua responsabilidade de investir na melhoria do caráter e na inclusão dos jovens”.

“Os políticos de Timor-Leste passam demasiado tempo em jogos políticos de alto nível e em viagens para eventos internacionais, negligenciando ao mesmo tempo as necessidades básicas da população vulnerável”, acusa a fundação.

Segundo a FM, Timor-Leste recebe elogios por ser um dos países “mais democráticos” da Ásia, mas “metade da população vive na pobreza, a subnutrição é generalizada, a economia interna está estagnada, os serviços públicos são disfuncionais e faltam infraestruturas básicas”.

“As glamorosas façanhas internacionais das elites timorenses alimentam um sentimento de desesperança entre muitos, que sabem que os políticos nunca ouvirão as suas preocupações”, salienta a FM.

A organização refere que os jovens “acreditam que o Estado não se preocupa com as suas vidas ou futuro” e que o comportamento “irresponsável e muitas vezes ilegal” de funcionários públicos “contribui para um desrespeito geral do Estado de Direito”.

A FM diz que hoje o setor privado depende do financiamento de agências doadoras internacionais, atribuído através de contratos governamentais, e que não têm “benefícios significativos para as comunidades”.

“Este modelo de desenvolvimento reduziu o sentimento de apropriação entre as comunidades beneficiárias e os trabalhadores em relação a muitos projetos, o que limita tanto a qualidade da sua implementação, como a confiança das pessoas no processo de desenvolvimento em geral”, salienta a FM.

Para a organização, a Igreja Católica também tem uma “grande parcela de responsabilidade”, salientando que os jovens não estão envolvidos em atividades e que para grande parte da sociedade o “envolvimento com a igreja limita-se à participação na missa semanal”.

A FM acredita que, “dada a legitimidade da Igreja Católica na sociedade timorense e a sua significativa experiência de trabalho com os jovens”, aquela poderia abordar os conflitos juvenis, apoiando os jovens com iniciativas comunitárias de desenvolvimento de competências e formação.

“A terceira e última instituição que a FM considera central para a atual crise juvenil é a própria família timorense, que, por razões complexas e variadas, muitas das quais relacionadas com a pobreza e a falta de educação, não conseguem maximizar a criatividade e a motivação dos seus filhos”, afirma a organização.

A FM conclui, considerando que “vê a desordem e a violência generalizadas entre os jovens como sintomas da crise social mais ampla em Timor-Leste, exacerbada pelo fracasso de várias instituições em incutir nos jovens timorenses um sentido de responsabilidade, propósito, motivação e envolvimento com a comunidade em geral”.

Segundo os Censos de 2022, 64,6% dos 1,3 milhões de habitantes do país têm menos de 30 anos.

A Semana com Lusa

3 de Abril de 2024

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
28 dias atrás 12 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
30 dias atrás 4 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
1 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport