quarta-feira, 17 junho 2026

A ATUALIDADE

Fogo: Produtores de vinho com perspectivas distintas em relação à produção

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Os produtores de vinho da ilha do Fogo preparam-se para mais uma campanha de vindima, com expectativas que variam entre optimismo e cautela, consoante as zonas de produção e as condições registadas ao longo do ciclo agrícola. Na Adega Cooperativa de Chã das Caldeiras, “as perspetivas são animadoras”, e, segundo David Monteiro, mais conhecido por Neves, tudo indica que a produção deste ano deverá superar a registada em 2025, embora “existam diferenças significativas” entre as várias zonas da Caldeira. Após visitas aos campos de cultivo, os responsáveis constataram que áreas como Portela, Ilhéu de Losna e Cova Tina apresentam uma produção mais fraca, enquanto zonas como Penedo Rachado, Montinho e Monte Losna registam uma situação “bastante mais favorável”. “As perspectivas são boas e tudo indica que a produção deste ano será superior à do ano passado. Há locais com excelente produção, outros com produção reduzida e algumas zonas praticamente sem produção”, afirmou David Monteiro. A vindima na Adega Cooperativa deverá arrancar no final de Junho, praticamente na mesma altura da campanha anterior, e a infraestrutura encontra-se preparada para receber toda a produção de uva e proceder à sua transformação em vinho. Na Adega Sodade, o cenário é mais moderado e, segundo Eduíno Lopes, a produção deverá situar-se entre fraca e normal, sendo ligeiramente inferior à registada no ano passado. Ainda assim, algumas áreas, nomeadamente em Montinho, poderão apresentar resultados melhores do que os obtidos em 2025. Por outro lado, as zonas localizadas no interior da Caldeira e nas áreas mais altas dos Mosteiros apresentam produções abaixo do esperado, condicionando o volume global da colheita. A vindima na Adega Sodade deverá arrancar durante a segunda quinzena de julho. Eduíno Lopes apontou ainda alguns desafios estruturais que afetam a actividade vitivinícola nas zonas altas dos Mosteiros. Segundo este responsável, muitos sócios da adega emigraram nos últimos anos, o que levou ao abandono de parcelas agrícolas. A falta de acessos adequados e o reduzido interesse dos jovens pela agricultura são igualmente factores que têm contribuído para a diminuição das áreas cultivadas. Apesar das diferenças nas previsões, os produtores mantêm a expectativa de realizar uma campanha positiva, numa atividade que continua a representar um dos principais símbolos económicos e culturais da ilha do Fogo. O agrónomo e produtor Miguel Montrond assegurou que a produção de uva este ano dentro de Chã das Caldeiras é fraca e explicou que muita uva não conseguiu completar o seu ciclo fisiológico, o que resultou em grãos pequenos e com poucos componentes da uva como antocianinas, taninos entre outros. Segundo o mesmo, a zona de Montinho tem boa e melhor produção na zona de Penedo Rachado a produção foi melhor que no interior de Chã das Caldeiras.   A Semana com Inforpress

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