quarta-feira, 30 setembro 2026

Estados Unidos podem perder mais na guerra com o Irão por desprezo de Trump às renováveis

A cruzada de Donald Trump para afastar os EUA das energias renováveis está sob escrutínio, numa altura em que a guerra contra o Irão expõe a volatilidade dos combustíveis fósseis.

O presidente dos Estados Unidos tem condenado de forma sistemática a transição para energias verdes. No ano passado, durante uma viagem à Escócia, Trump apelou à Europa para que «pare com os moinhos de vento», classificando os parques eólicos como uma fraude e instando o Reino Unido a abrir mais licenças de exploração petrolífera no mar do Norte.

No Fórum Económico Mundial (WEF), em Davos, a 21 de janeiro, Trump afirmou, de forma falsa, que a China vendia turbinas eólicas a «pessoas estúpidas», mas não utilizava a tecnologia no próprio país. Na China fica o maior parque eólico do mundo, visível do espaço.

Para além de se ter retirado de acordos climáticos fundamentais e de levar a sua atitude «drill, baby, drill» também à Venezuela, a administração Trump foi ainda considerada ilegal ao cancelar 7,6 mil milhões de dólares (cerca de 6,52 mil milhões de euros) em subsídios para energia limpa destinados a projetos em estados que votaram em Kamala Harris em 2024.

Mas, com as infraestruturas energéticas a serem arrastadas para o conflito no Médio Oriente, especialistas alertam que os EUA ficaram com menos fontes de energia alternativas, tornando o país mais vulnerável a choques de abastecimento.

Guerra contra o Irão: como afeta a energia nos EUA

O petróleo Brent, referência mundial para a formação do preço do crude, já superou os 100 dólares (cerca de 86,38 euros) por barril várias vezes desde o início da guerra. Muito deste aumento explica‑se pelo estreito de Ormuz, um estrangulamento para os combustíveis fósseis que continua praticamente bloqueado, à medida que o Irão visa o tráfego que por ali passa.

Esta passagem de 38 km escoa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo, o que equivale a cerca de 20 milhões de barris por dia. Os preços do petróleo e do gás são definidos nos mercados globais, pelo que o aumento da produção interna não reduz de forma significativa os custos para os consumidores.

Nos Estados Unidos, o preço da gasolina disparou para perto dos 4 dólares (3,46 euros) por galão. Representa uma subida acentuada face ao mês passado, quando Trump se gabava de que os preços estavam abaixo dos 3 dólares (2,59 euros).

«Os maiores perdedores no curto prazo com a guerra serão os consumidores de petróleo e gás nos EUA, à medida que os preços da energia sobem», afirma à agência AP o cientista do clima Peter Gleick.

Trump descreve o conflito como um «preço muito pequeno a pagar» após anos de terror por parte da liderança iraniana. Prevê que os preços do petróleo «caiam a pique» assim que a guerra acabar.

Mas os consumidores norte‑americanos já sentem os efeitos nas bombas, o que está a aumentar o interesse por veículos elétricos (VE). Analistas alertam ainda que os preços do petróleo não vão «voltar de imediato ao normal» quando a guerra terminar, sobretudo se as infraestruturas energéticas continuarem a ser alvo de mísseis.

«Percebe‑se agora que os combustíveis fósseis têm os seus próprios riscos de abastecimento e a administração não tem respostas», afirma Tyson Slocum, da organização de defesa dos consumidores Public Citizen.

«Sem picos de preços para a luz do sol»

Numa tentativa de aliviar a pressão sobre os preços, Trump libertou milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA e procurou levantar temporariamente as sanções sobre carregamentos de petróleo russo já em alto‑mar.

Segundo a AP, responsáveis norte‑americanos ponderam igualmente recorrer à Marinha dos EUA para escoltar petroleiros através do estreito de Ormuz. Medida implicaria negociações com países fortemente dependentes do crude do Médio Oriente para formar uma coligação que patrulhe aquela via marítima.

Apesar destes esforços, os preços mantêm‑se elevados. Gregory Brew, analista sénior do Eurasia Group, considera que o mundo enfrenta atualmente «a maior perturbação de sempre no abastecimento de petróleo», o que manterá os custos da energia em níveis elevados num futuro previsível.

Situação tem reforçado os apelos a apostar em energia verde produzida localmente, como a eólica e a solar, que não é afetada por conflitos geopolíticos. Espanha, por exemplo, já demonstra como um forte investimento em renováveis pode ajudar a manter as faturas de energia baixas quando os preços do gás e do petróleo disparam.

«Não há picos de preços para a luz do sol nem embargos ao vento», sublinha o secretário‑geral da ONU, António Guterres.

A Semana com Euronews

 

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 11 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 4 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 10 horas atrás

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