quarta-feira, 30 setembro 2026

Brava: Funcionários denunciam falta de condições na Delegacia de Saúde - delegado refuta acusações

Segundo os denunciantes, que preferiram anonimato, a unidade hospitalar enfrenta actualmente a falta de combustível para confeccionar e aquecer alimentos, resultando na ausência de alimentação regular para os pacientes internados.

“Os internados estão a ficar sem comida”, alertaram, sublinhando que, no entanto, a delegacia dispõe de meios que deveriam garantir esse serviço essencial.

As queixas estendem-se à gestão administrativa, alegadamente assegurada por um psicólogo sem as competências formais para o cargo, e à falta de proximidade do delegado de saúde com a comunidade e os doentes.

Os funcionários apontam ainda um “clima de intimidação" com ameaças de processos disciplinares, irregularidades no cumprimento de férias de colaboradores com vínculos familiares à direcção e a quebra grave de sigilo profissional em casos sensíveis como o VIH.

Face ao que descrevem como uma instituição "ao abandono", os profissionais apelam a uma intervenção urgente do Ministério da Saúde para averiguar o funcionamento da Delegacia de Saúde da Brava.

Contactado pela Inforpress, o delegado de saúde, Júlio Barros, negou as acusações de má gestão no hospital da ilha, garantindo que os serviços funcionam dentro da legalidade e que a instituição tem registado ganhos administrativos.

“Temos confiança no nosso trabalho e estamos seguros daquilo que estamos a fazer. A nossa preocupação é o bem-estar dos pacientes, entretanto o nosso calcanhar de Aquiles é a melhoria dos serviços que não encontramos quando chegámos”, afirmou.

O responsável explicou que a falta de gás se deve a um atraso de três meses no fornecimento proveniente de São Vicente, via Enacol, sublinhando que a resolução do problema não depende directamente da delegacia.

Relativamente às críticas sobre a alimentação, Júlio Barros adiantou que está em curso um processo de contratação para a cozinha junto do Ministério da Saúde.

O delegado rejeitou também as queixas de intimidação, afirmando que apenas exigiu o cumprimento do horário de trabalho aos funcionários.

Sobre a gestão de pessoal, esclareceu que a funcionária ausente solicitou licença sem vencimento e que o processo aguarda decisão superior. Júlio Barros aproveitou para destacar que a actual administração regularizou salários e contribuições para o INPS que encontrou em atraso.

Quanto ao sigilo profissional, o delegado defendeu que a responsabilidade é individual de cada técnico, assegurando ainda que o actual administrador, Adilson Bango, exerce as suas funções legalmente e tem contribuído para o progresso da unidade através de parcerias.

Júlio Barros concluiu afirmando que, apesar do direito de reclamação dos funcionários, a prioridade da sua equipa continua a ser o bem-estar dos pacientes e a recuperação de serviços que encontrou degradados ao assumir o cargo.

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 11 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 4 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 10 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...