quarta-feira, 30 setembro 2026

Moçambique. Seis detidos por desviar fundos de afetados pelas cheias

O desvio dos produtos aconteceu em 23 de janeiro, quando os funcionários em causa se dirigiram "ao local onde o produto estava guardado, tendo subtraído" o mesmo, mas acabaram detidos no dia seguinte, disse o porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Niassa, Nelson de Sousa.

Segundo o responsável, a detenção dos seis funcionários resultou de uma atividade conjunta envolvendo a PRM, Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) e o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), "após tomada de conhecimento de que indivíduos de uma instituição pública teriam desviado alguns produtos alimentares destinados às vítimas de calamidades naturais".

O porta-voz explicou ainda que os indiciados confessaram, já que, frisou, "outrora teriam afirmado que a ação foi motivada pelo facto de um dos chefes da instituição os ter autorizado a levar os produtos para benefício próprio".

"Entretanto, tratando-se de produtos que estavam destinados para vítimas de calamidades naturais, acabou constituindo isso um crime, tomando em consideração que não eram produtos destinados para os funcionários, mas sim para pessoas carenciadas", acrescentou.

De acordo com a polícia, entre os produtos desviados estão farinha de milho, açúcar, óleo ou manteiga e decorrem diligências para aferir se existem outras pessoas envolvidas no crime.

"Contudo, apelamos aos funcionários públicos para não optarem por essas vias de desvio de algum bem que não é da sua alçada e isso acaba constituindo um crime e todo o crime tem a sua sanção", concluiu.

Quase 105 mil pessoas estão em centros de abrigo em Moçambique, devido às cheias que afetaram já praticamente 700 mil cidadãos em 20 dias, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com dados até às 16:00 (14:00 de Lisboa) da segunda-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.527 pessoas (mais 40 mil em 24 horas), equivalente a 151.963 famílias, ainda com 12 mortos, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias inteiras continuam a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique, além de 148 feridos e 812.194 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Segundo os dados mais recentes, estão atualmente ativos 105 centros de acomodação - mais seis face a domingo -, com 103.535 pessoas (mais 4.000), incluindo 19.556 que tiveram de ser resgatadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 366 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

O registo do INGD aponta ainda para 287.013 hectares de área agrícola afetados, atingindo a atividade de 215.949 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

A Semana com Noticiasaominuto

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 23 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 16 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 22 horas atrás

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