quinta-feira, 01 outubro 2026

Ventura recusa comentar ligação de deputado a grupo neonazi e ataca jornalistas

Numa arruada na Baixa da Banheira, no concelho da Moita (distrito de Setúbal), o também presidente do Chega foi questionado pela comunicação social sobre os vídeos que circulam do deputado Rui Afonso a partilhar uma viagem com elementos do grupo neonazi 1143 para uma manifestação anti-imigração em Lisboa.

André Ventura recusou-se a comentar essa ligação, optando antes por atacar os jornalistas.

“Acho que nós devemos é falar de um vídeo que está a circular de disparos ao pé de crianças”, vincou, alegando que parte da comunicação social é “dominada” pela esquerda e acusando-a de querer proteger criminosos: “Infelizmente, é o que vocês continuam a fazer”.

Na mesma arruada em que falou de “bandidagem” e de querer “pôr o país na ordem”, o candidato não teceu uma única palavra sobre essa viagem do deputado do Chega com elementos desse grupo, que foi recentemente alvo de uma grande operação da PJ, que levou à constituição de 37 arguidos, suspeitos de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.

A presença do deputado Rui Afonso num dos autocarros em que seguiam vários membros do grupo 1143 foi noticiada pela revista Sábado, em setembro de 2024, ressurgindo agora o vídeo face à operação da PJ contra aquela organização neonazi.

Na altura, o deputado referiu à Sábado que assumiu a supervisão de um dos autocarros e que nenhum dos passageiros vinha “identificado como pertencente ao movimento X ou ao movimento Y”, mas a revista notou que havia uma bandeira do movimento à janela do autocarro e foram entoados cânticos do 1143.

Já na semana passada, André Ventura não fez qualquer referência aos três militantes do partido que tinham sido detidos na operação que visou aquela organização neonazi, optando também nessa circunstância por se voltar contra a comunicação social.

No livro “Por Dentro do Chega”, o jornalista Miguel Carvalho estabelece várias ligações diretas entre o partido e movimentos da extrema-direita portuguesa, nomeadamente o grupo 1143, que apelou ao voto em André Ventura nestas eleições.

De acordo com aquela obra, há também ligações entre o Chega e movimentos extremistas como o Reconquista e Identidade e Futuro.

Durante a arruada na Baixa da Banheira, Ventura voltou a distribuir ‘selfies’ e beijinhos, numa ação com cerca de 50 pessoas onde se entoaram vários cânticos.

Aos jornalistas, Ventura insistiu na ideia de que encabeça uma “candidatura do povo contra a candidatura do sistema”, acusando Seguro de fugir da rua.

Durante curtas declarações, o candidato presidencial alegou que, caso vença, os “bandidos vão ser postos na cadeia”, apesar de em Portugal haver separação entre os poderes executivo, legislativo e judicial.

“Esta é a candidatura que quer ordem”, vincou.

A Semana com Diarioviseu

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 1 horas atrás

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26 dias atrás 18 horas atrás

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joão do rosário
29 dias atrás

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