quarta-feira, 30 setembro 2026

África subsaariana acelera crescimento mas pobreza não diminui - Banco Mundial

"Apesar da melhoria da perspetiva de evolução económica da região, os ganhos no rendimento 'per capita' vão continuar inadequados para um progresso significativo contra a pobreza e o aumento da criação de emprego", escrevem os economistas do Banco Mundial nas Perspetivas Económicas Globais, hoje divulgadas em Washington.

No capítulo dedicado à África subsaariana, a instituição diz que "os riscos relativos às previsões continuam a ser descendentes", incluindo uma redução da procura externa, preços mais baixos das matérias-primas, aumento da instabilidade política regional e uma deterioração dos conflitos em curso na região.

Além disso, refere, pesa a questão do apoio financeiro dos doadores externos, que, a reduzir-se ainda mais, "aumentará a vulnerabilidade das economias da região a choques de saúde e a desastres naturais".

No documento, o Banco Mundial melhora ligeiramente a previsão para o crescimento de 2025 na África subsaariana, região que engloba a maioria dos países lusófonos, face ao que tinha estimado em junho, de 3,7% para 4%.

Esta melhoria é atribuída, principalmente, à redução da inflação e ao aumento dos preços das matérias-primas, nomeadamente o ouro, mas a instituição financeira alerta que a média esconde realidades muito diferentes nos países, com metade a acelerar o crescimento e a outra metade a abrandar a expansão económica.

Entre as principais preocupações dos economistas do Banco Mundial na região está a insegurança alimentar, os elevados montantes de dívida e os persistentemente elevados níveis de pobreza.

No que diz respeito à dívida pública da região, o Banco Mundial alerta que os pagamentos dos juros dos empréstimos vão continuar acima da média de 2010 a 2019, "refletindo uma mudança para termos menos concessionais e os efeitos diferidos da acumulação de dívida recorde no seguimento da pandemia de covid-19".

Apesar de notar uma melhoria nas condições financeiras globais, que permitiu que países como Angola tenham regressado ao mercado de emissão de dívida em 2025, o Banco Mundial avisa que "um aumento da dependência de fontes mais arriscadas leva a mais vulnerabilidade face a riscos cambiais, taxas de juro e refinanciamento".

Mais do que o rácio da dívida face ao Produto Interno Bruto (PIB), que apesar de em queda, continua a ser elevado, o Banco Mundial alerta que, "em conjunto com os elevados custos de endividamento, isto vai obrigar a uma contínua consolidação orçamental, o que terá efeitos na procura" na região.

"Os rendimentos ‘per capita’ [criação de riqueza face ao número de pessoas] na África subsaariana deverão crescer, em média, 2% ao ano em 2026 e 2027, ligeiramente acima do previsto em junho, mas ainda insuficiente para criar empregos suficientes para manter um ritmo que acompanhe o crescimento da força de trabalho, e também insuficiente para garantir reduções significativas da pobreza extrema", aponta-se no relatório.

A África subsaariana tem cerca de 270 milhões de jovens, com o maior aumento na população em idade de chegar ao mercado de trabalho, mas a criação de emprego produtivo continua limitada, lamenta o Banco, salientando que esta região já tem mais de70% da população mundial em pobreza extrema, e o fosso nos padrões de vida continua a agravar-se.

A insegurança alimentar, que afeta 25% da população africana, mais do dobro da média mundial, é outra das preocupações ressaltadas no relatório, que dá conta de um aumento de 250 para 280 milhões de crianças malnutridas devido aos preços elevados dos alimentos.

"Este aumento reflete parcialmente os efeitos dos conflitos armados na região e o rescaldo dos eventos meteorológicos adversos, como as secas severas na África Austral, e as inundações noutras partes do continente", conclui o Banco Mundial.

A Semana com Inforpress/Lusa

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 18 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 11 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 17 horas atrás

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