quinta-feira, 08 outubro 2026

Praia: Vendedoras e clientes dos mercados municipais continuam com “crise” de moedas

O reforço da circulação monetária anunciado pelo BCV entre Julho e Setembro não parece ter chegado aos mercados populares da capital.

No Plateau e em Sucupira, vendedoras e clientes partilharam à Inforpress a mesma sensação: a falta de troco continua a dificultar o dia a dia e travar as vendas.

A vendedora do mercado de Plateau, Maria Correia contou que tem perdido clientes devido à escassez de moedas.

“Os clientes vêm fazer compras e, por não termos troco, acabam por desistir. Já aconteceu deixar o cliente levar a compra e pedir que trouxesse o troco depois”, relatou, sublinhando que as moedas de 100 escudos para baixo são as que mais fazem falta.

Situação semelhante vive a vendedora Jesuína de Brito, que lamentou os transtornos provocados pela escassez de troco.

“Procuramos e não encontramos, às vezes pedimos 50 ou 100 escudos às colegas para conseguir vender. Muitos clientes dizem que estão com pressa e vão embora sem esperar”, contou.

Para ela, o problema persiste porque “se há moedas no mercado, não aparecem aqui”.

A vendedora Suzete Costa, do mercado de Sucupira, explicou que tenta contornar a situação vendendo produtos de baixo valor, na esperança de conseguir troco.

“Vendo rebuçados, “donuts” e fresquinhas para ver se arranjo moedas, mas não tem sido fácil”, disse, sugerindo que “antes de colocarem novas moedas, deviam ver o que aconteceu com as que desapareceram”.

“Se dizem que há dinheiro a circular, onde está?”, questionou.

Também Maria Conceição afirmou que “as vendas estão cada vez mais difíceis”, deixando claro que “sem moedas não se vende”.

“Se aumentaram as moedas, não se nota, ficou até pior”, desabafou, defendendo que o banco central deve colocar mais moedas no mercado, porque as vendedoras vivem disso.

Entre os clientes, a insatisfação é igual, Claudete Monteiro desabafou que enfrenta a falta de troco em praticamente todos os lugares onde faz compras.

“Há lugares que dão rebuçados ou fresquinhas em vez de moedas. Já deixei compras por fazer por causa disso”, contou, acrescentando que não sentiu qualquer efeito do reforço anunciado pelo BCV.

O Banco de Cabo Verde garantiu, na sua nota oficial, ter colocado 1,4 milhão de moedas em circulação entre Julho e Setembro, valor que corresponde a 60% da quantidade anual disponibilizada.

O objectivo, segundo a instituição, é “responder à escassez registada no país e garantir a normalidade das transacções comerciais”.

Contudo, nas bancas e nas mãos de quem vive do comércio diário, a realidade ainda é outra.

“Aqui no mercado, essas moedas nunca chegaram”, resumiram as vendedoras, pedindo medidas urgentes para que o troco volte a circular e que o comércio não pare.       

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
   Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
2 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
4 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport