sexta-feira, 02 outubro 2026

Autoridades do Texas enfrentam escrutínio sobre resposta a inundações mortais

As cheias repentinas, que começaram antes do nascer do sol de sexta-feira no condado de Kerr, no estado norte-americano do Texas, causaram a morte de pelo menos 52 pessoas e um número desconhecido de pessoas desaparecidas, segundo as autoridades.

Entre os desaparecidos estão 27 raparigas do Camp Mystic, um acampamento de verão cristão ao longo do rio Guadalupe, naquele condado.

Mas, à medida que as autoridades iniciam um dos maiores esforços de busca e salvamento da história recente do Texas, estão sob crescente escrutínio sobre os preparativos e a razão pela qual os residentes e os campos de férias para jovens espalhados ao longo do rio não foram alertados atempadamente ou instruídos para abandonar o local, avançou a AP.

Equipas aéreas, terrestres e aquáticas estão a vasculhar as águas do rio Guadalupe em busca de sobreviventes e corpos, tendo sido mobilizados cerca de 500 socorristas e 14 helicópteros, enquanto a Guarda Nacional do Texas e a Guarda Costeira enviaram reforços, avançou a AFP.

De acordo com relatos dos meios de comunicação locais que citam as famílias, foram encontrados até ao momento os corpos de quatro meninas.

Um alerta inicial de inundações — que geralmente avisa os residentes para estarem atentos às condições meteorológicas — foi emitido pelo gabinete local do Serviço Meteorológico Nacional às 13:18 locais, na quinta-feira.

Os avisos meteorológicos, incluindo alertas automatizados enviados para telemóveis de pessoas em áreas ameaçadas, tornaram-se cada vez mais ameaçadores nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, incitando as pessoas a deslocarem-se para terrenos mais altos e a evacuarem áreas propensas a inundações, disse Jason Runyen, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional.

Às 04:03 locais, o gabinete emitiu um alerta urgente para o potencial de danos catastróficos e grave ameaça à vida humana.

Jonathan Porter, meteorologista-chefe da AccuWeather, uma empresa privada de previsão meteorológica que utiliza dados do Serviço Meteorológico Nacional, defendeu que poderiam ter sido evacuados locais de perigo, entre outras medidas para reduzir o risco de fatalidades.

“As pessoas, as empresas e os governos devem tomar medidas com base nos alertas de cheias repentinas emitidos, independentemente da quantidade de chuva que ocorreu ou está prevista”, defendeu Porter em comunicado.

As autoridades locais disseram que não esperavam uma chuva tão intensa, equivalente a meses de chuva na região.

“Sabemos que chove, sabemos que o nível do rio sobe”, mas ninguém esperava isto”, disse o juiz do condado de Kerr, Rob Kelly.

Kelly disse que o condado considerou um sistema de alerta de cheias que teria funcionado como uma sirene de alerta de tornado há cerca de seis ou sete anos, antes de ele ser eleito, mas que a ideia nunca saiu do papel por causa do custo.

A secretária da Segurança Interna dos Estados Unidos (EUA), Kristi Noem, disse no sábado que era difícil para os meteorologistas preverem a quantidade de chuva que iria cair.

“Sabemos que todos querem mais tempo de aviso prévio, e é por isso que estamos a trabalhar para atualizar a tecnologia que foi negligenciada durante muito tempo para garantir que as famílias têm o máximo de aviso prévio possível”, disse Noem durante uma conferência de imprensa com líderes estaduais e federais.

As inundações repentinas, causadas por chuvas torrenciais que o solo seco não consegue absorver, não são incomuns. Mas, de acordo com a comunidade científica, as alterações climáticas provocadas pela atividade humana tornaram eventos climáticos como inundações, secas e ondas de calor mais frequentes e intensos.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
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