sexta-feira, 02 outubro 2026

Estudo sobre a comunidade portuguesa em Cabo Verde destaca integração e cooperação histórica

O especialista falava aos jornalistas, no âmbito da abertura do evento alusivo ao Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, promovido pela Alta Autoridade para a Imigração em que foi apresentado um estudo sobre a comunidade portuguesa residente em Cabo Verde.

A mesma fonte disse que o objectivo foi fazer com que o estudo abrangesse desde 1460 até aos dias de hoje, e o que foi verificado, de acordo com os dados, que se trata de uma comunidade bem integrada”.

Segundo o sociólogo, “o estudo é interessante” porque, normalmente, estuda-se mais a saída de Cabo Verde, dos cabo-verdianos para fora.

Ele explicou que o que mais surpreendeu no estudo foi ver Cabo Verde e Portugal, que começaram com a escravatura, depois com trabalho forçado, e que hoje culmina numa relação de dois Estados soberanos, autónomos, que têm uma cooperação “muito boa”, reconhecida a nível nacional e internacional.

De acordo com o estudo, a cooperação bilateral entre os dois países tem-se fortalecido ao longo dos anos, especialmente após a independência de Cabo Verde, com “centenas de acordos estabelecidos” entre as duas nações.

“Existem centenas de acordos feitos, sobretudo depois da independência, e que mostram a progressão da relação que existe entre Cabo Verde e Portugal”, frisou.

A mesma fonte explicou ainda que a investigação tentou abordar o estudo em três categorias: os portugueses do continente, os empresários portugueses em Cabo Verde e os cabo-verdianos com dupla nacionalidade.

O sociólogo afirmou que a pesquisa mostrou uma “integração considerável, com muitos portugueses conhecendo a cultura cabo-verdiana e vivendo no país”, e que a grande maioria dos filhos dessa comunidade estuda tanto em Cabo Verde quanto no exterior. “Muitos pretendem continuar cá”, sublinhou.

O estudo também revelou que uma percentagem significativa dos portugueses em Cabo Verde possui a nacionalidade cabo-verdiana e que muitos portugueses de origem cabo-verdiana têm dupla nacionalidade.

“Faz-nos perceber que Cabo Verde também é um país que acolhe e oferece oportunidades para que as comunidades estrangeiras que cá vivem se realizem, implementem os seus projetos e se sintam realizadas aqui no país”.

Nardi de Sousa, ao refletir sobre o impacto desses estudos nas políticas públicas, destacou a importância de Cabo Verde como um exemplo de país aberto, especialmente em um contexto mundial em que muitos países estão adotando políticas mais restritivas para os imigrantes.

O sociólogo acrescentou que apesar de alguns desafios, como a discriminação enfrentada por algumas comunidades, principalmente os imigrantes da África Ocidental, Cabo Verde tem mostrado “avanços significativos” na gestão das migrações.

Na visão do sociólogo, o país deve continuar a promover um ambiente de acolhimento e oportunidades para todas as comunidades, respeitando as suas culturas e identidades.

“O desafio é conhecer a realidade, através destes diagnósticos, e melhorar e alterar positivamente onde for necessário, em termos de legislação e políticas, entre outros”, disse.

Nardi de Sousa frisou ainda a necessidade de políticas que favoreçam a integração de imigrantes, “melhorando significativamente” e enfrentando os problemas para tornar o país “mais acolhedor”.

“Mas as coisas podem melhorar significativamente quando nós enfrentamos o problema e tornamos o nosso país um país acolhedor, que oferece oportunidades, onde as pessoas respeitam a cultura, as normas e também vivem as suas identidades,” concluiu.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
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