sexta-feira, 02 outubro 2026

Defesa pede delação premiada para acusados de planear ataque terrorista em Angola

O requerimento foi apresentado aos juízes em sede das questões prévias, avançou à Lusa António Nasso, assistente da defesa de seis dos sete coarguidos, acusados dos crimes de organização terrorista, aquisição ou posse de substâncias explosivas e associação criminosa, sendo o sétimo acusado de falsificação de documentos.

Segundo a defesa, os seus constituintes estão a colaborar no sentido de “desvendar todos os elementos que estiveram na base do projeto pretendido”, frisando que, hoje, o suposto líder do grupo, em sede de interrogatório, disse sentir-se “usado” por aqueles que “o colocaram neste projeto, que o teriam ajudado ou patrocinado”.

António Nasso referiu que o primeiro dia de julgamento “correu de forma serena”, tendo sido ouvido apenas o coarguido João Gabriel Deussino, o suposto líder do grupo, que tem também como integrantes Domingos Muecália, Crescenciano Kapamba, Arão Rufino, Eduardo Kalala, Adelino Bacia, Francisco Nguli e Pedro João da Cunha, este último acusado do crime de falsificação de documentos.

“O processo está a andar bem até ao momento (…), está a andar na melhor coesão, na melhor forma possível, sem qualquer controvérsia”, salientou António Nasso, afirmando acreditar na absolvição dos arguidos.

Por sua vez, o porta-voz do Tribunal da Comarca do Huambo, Evaristo Samala, frisou que a sessão arrancou com questões prévias, seguida da leitura da acusação, da contestação e início do interrogatório ao primeiro arguido, tendo sido dispensados os nove declarantes arrolados ao processo, prevendo-se que comecem a ser ouvidos na quarta-feira.

“Foi um dia bastante produtivo, porque é o dia do arranque, normalmente um pouco conturbado, porquanto o tribunal é surpreendido por alguns requerimentos formulados pelas partes, refiro-me ao Ministério Público e às defesas”, disse Evaristo Samala em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA), acrescentando que os juízes responderam às questões prévias colocadas.

De acordo com Evaristo Samala, o tribunal, à semelhança do Ministério Público, decidiu “apreciar o depoimento do arguido colaborador, para ver se se cumpre o disposto" na lei que permite a constituição do regime de arguido colaborador.

As ações dos coarguidos tinham como objetivo, de acordo com a acusação, atacar alvos estratégicos, como a Presidência da República, a refinaria de Luanda e a embaixada norte-americana durante a visita de Joe Biden, tendo sido apreendidos dez explosivos.

Em janeiro deste ano, as autoridades angolanas anunciaram o desmantelamento e detenção do grupo liderado por João Gabriel Deussinho, de 34 anos, autointitulado presidente do movimento revolucionário Frente Unida de Reedificação da Ordem Africana (FUROA), que supostamente pretendia derrubar o Governo angolano e instaurar um novo regime.

Segundo o Serviço de Investigação Criminal, a organização, com ligações internacionais, surgida em 2017 na província do Huambo, começou a ser monitorizada em outubro e pretendia realizar ações terroristas para desestabilizar a ordem política e social do país, criando pânico durante a visita oficial do ex-Presidente norte-americano Joe Biden a Angola, em dezembro de 2024.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 18 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
27 dias atrás 10 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
29 dias atrás 16 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport