A jornalista Filomena Silva, ex-diretora do jornal A Semana, faleceu, aos 67 anos de idade, esta madrugada na Praia, vítima de doença prolongada. O funeral aconteceu com o cortejo fúnebre a partir das 14H30 da sua residência na Fazenda, com a passagem pelas 15 horas pelo Centro Paroquial da Igreja Matriz da Praia, seguida de enterro por volta das 16 horas no cemitério da Várzea.
Filomena ficou conhecida historicamente pelo seu papel fundamental na expansão e no relaçanmento do jornal A Semana como um dos principais e mais influentes órgãos de comunicação social privada em Cabo Verde - teve de suspender a sua edição em papel em finais de 2016 devido a constrangimentos vários.
Filó, como era chamada, substitiu, nos meados da década de 1990, o primeiro diretor do jornal A Semana, Jorge Soares, que exilou-se nos Estados Unidos da América por causa de vários processos judiciais movidos pelo então poder contra esse semanário. Antes trabalhou como jornalista do extinto jornal Voz di Povo, órgão público que marcou a imprensa cabo-verdiana no período anterior e posterior à abertura política de 1991. Por motivos de saúde, ela deixou o cargo de diretor do jornal A Semana entre entre 2014/2015.
Filomena ficou conhecida historicamente pelo seu papel fundamental na expansão e no relançamento do jornal A Semana como um dos principais e mais influentes órgãos de comunicação social privada em Cabo Verde - teve de suspender a sua edição em papel em finais de 2016 devido a constrangimentos vários.
Através da sua direção, o semanário impresso A Semana, fundado em abril de 1991 na Praia, consolidou-se como um modelo de pluralismo e debate democrático num período de forte abertura política do país. Como consequência, sofreu vários processos judiciais junto de outros colegas do jornal.
Conforme os registos, em 2003, Filomena liderou a transição da publicação para o ambiente digital com o lançamento do portal A Semana On-Line. Este ficou historicamente registado como o primeiro diário digital em linha de Cabo Verde. Com isso, alargou, segundo criíticos da área, o alcance do jornalismo local a toda a vasta diáspora cabo-verdiana através de uma plataforma focada na lusofonia e na identidade cultural do arquipélago.
No plano internacional, o jornal foi destacado, durante a sua liderança, pela UNESCO como um caso de sucesso e referência para a liberdade de imprensa e para o desenvolvimento dos média privados no continente africano.
Mas os seus feitos não ficam por alí. Filomena Silva participou de forma ativa na discussão dos desafios do jornalismo nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), intervindo em conferências, debates e análises promovidas por entidades como a Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) sobre a qualidade, ética e a sustentabilidade do jornalismo em Cabo Verde. Foi membro da Direção de AJOC, quando a organização da classe era presidida pelo jornalista José Vicente Lopes.
Por ter sido muito rigorosa no exercício da sua profissão e na gestão do jornal, muitos colegas com os quais trabalhou não a compreendeu bem. Fica no entanto o seu legado por uma imprensa livre no país. Que descanse em paz, Filó. O coletivo do A Semana rende uma sentida homenagem a si e apresenta sentidas condolências à familia.

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