quarta-feira, 29 julho 2026

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Maria Ernestina, a mulher que viu nos pastéis o sustento para família

São Domingos, que é conhecido por ter sido a terra que viu nascer N” toni Denti D” oro, rei do batuco, é uma localidade que fica situado a 15 minutos da cidade da Praia.

Falar de São Domingos é também falar do famoso “pastel de milho” que é sem dúvida um atractivo turístico desta localidade. A Semana foi à São Domingos conhecer de perto uma figura que também é muito conhecida, Maria Ernestina Andrade, carinhosamente chamada por Nilda, de 61 anos, que sem outro trabalho, encontrou na venda dos pastéis uma forma de garantir o sustento da família e faz isso há cerca de 33 anos.

Durante muitos anos, Maria fazia o famoso pastel de milho em casa, no seu quintal de terra abatida. A maioria das pessoas saíam de várias localidades até São Domingos apenas para deliciar deste petisco tradicional. Foram os vizinhos que a incentivaram a fazer os pastéis na rua, garantindo que um dia seria reconhecida por todos e que ganharia mais clientes.

Mãe de 7 filhos, começou a fazer pastel quando os filhos ainda estavam pequenos e vendia porta a porta. Para além de pastel essa mãe solteira também fazia outros petiscos tradicionais como Fidjós e cuscuz para vender. “De manhã fazia aqueles cuscuz nos bindes pequenos, saía de porta em porta e vendia para as pessoas tomarem café, em seguida fazia “fidjós” também para vender e a tarde fazia pastel”, salientou.

Nilda explica que o que a levou a fazer pastel, é o fato de não ter estudado e ter tido problemas financeiras quando começou a ter filhos. Os vizinhos tiveram conhecimento que estava a fazer pastéis e sempre que ia pessoas da cidade da Praia, compravam-lhe pastéis e assim começou a ganhar alguns clientes. As pessoas motivaram-lhe a sair na rua para fazer pastel, porque estando na via pública onde passam muitos carros, as pessoas teriam conhecimento do seu negócio e ganharia mais clientes. Mas, confessa que no início tinha muita vergonha de fazer o seu trabalho na rua, porque era muito nova e muitas pessoas vinham a sua profissão com desprezo, mas com o tempo conseguiu ganhar coragem e fazer os seus pastéis para vender às pessoas que passavam.

A vendedeira de pastel, diz ter investido na educação dos filhos garantindo os seus estudos com a venda de pastel. Hoje ela enche de orgulho quando fala das profissões dos filhos.

“O meu primeiro filho fez o 12ª e hoje tem uma oficina, o meu segundo filho é Polícia Judiciária. Tenho um filho que fazia parte do grupo de música “Rapaz 100 Juíz” que hoje está no estrangeiro, os outros todos estão empregados e tenho orgulho em dizer que tudo isso foi graças a venda de pastel, avançou.

Chegou um momento em que a dona Maria teve de colocar uma pausa na venda de pastel e trabalhar no hospital da Praia como servente no tempo da cólera, mas só que o vencimento não ajudava muito porque tinha dois filhos que estavam a estudar no momento, um estudava no liceu da Praia e o outro em Assomada e o dinheiro que recebia não dava para pagar as contas e muito menos pagar o transporte dos filhos. Fazia esforço para lhes pagar os transportes, mas confessa que não conseguia dar-lhes dinheiro para lancharem na escola. Diante desta situação, percebeu que o trabalho não estava a render-lhe muito, e voltou para ao negócio de vender pastel.

Com o passar do tempo e com o aumento dos clientes, Nilda ampliou o seu negócio e abriu um lanchonete onde vende um pouco de tudo. Ali pode-se encontrar moreia, fígado, refrigerante e entre outos. Mas o pastel não deixa de ser referência e é o preferido do público de todos os cantos da ilha de Santiago e não só.

Cada pastel custa 10 escudos, “um preço acessível para todos os bolsos”, garante. Ela explica que, o que torna o seu pastel especial, é o fato de colocar muita bata-doce que dá um gosto diferente e saboroso.

“O meu pastel vai na base de batata-doce e farinha de milho, fervo batata-doce e em seguida misturo com a farinha de milho. Coloco muita batata-doce no meu pastel para dar um gosto especial”, destacou.

A senhora que hoje encontra-se firme e forte, já teve graves problemas de saúde e teve de ir fazer tratamento em Portugal, mas depois de ter regressado voltou a fazer o que ela mais gosta, que é fazer pastéis. Como toda pessoa enquanto está viva tem um sonho, o maior sonho de dona Nilda é terminar de requalificar a sua casa antes de morrer. E ela aconselha a todos a nunca desistirem dos seus ideais e sonhos.

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Comentários

Soares
18 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
22 dias atrás

Boa sorte

Terra
12 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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