A comunidade guineense residente na cidade da Praia pediu esta segunda-feira, 14, às autoridades policiais e à própria embaixada, proteção contra uma onda de assaltos e tiroteios perpetrados por um grupo de jovens contra a comunidade na zona de Safende.
Mencionou que a concentração em frente a embaixada é na esperança de receberem algum apoio de quem os representa no país e fazer chegar as ocorrências às autoridades nacionais.
Concentrados em frente à Embaixada da Guiné-Bissau, um grupo de pessoas manifestou-se revoltado e indignado com os sucessivos assaltos de que a comunidade tem sido alvo.
Segundo a Inforpress, os manifestantes relataram que além de verem os seus pertences roubados correm risco de vida devido aos disparos.
Em declarações à imprensa, a jovem guineense Nair Kimbumba contou que neste final de semana houve mais uma situação do género, na zona de Safende, tendo um jovem sofrido assalto e disparos contra a sua pessoa.
“Não é primeira vez que isto acontece. A nossa comunidade tem sofrido ataques frequentes e a justiça não tem funcionado”, afirmou.
Mencionou que a concentração em frente a embaixada é na esperança de receberem algum apoio de quem os representa no país e fazer chegar as ocorrências às autoridades nacionais.
Além dos ataques físicos, relatou Nair Quimbunba que sofrem discriminação, insultos preconceituosos, são privados de estarem na rua, com ameaças de sofrerem as consequências.
“Somos pessoas e devemos receber tratamento igual, não somos animais”, disse lamentando estes casos.
Segundo Mamadu Baldé, não estão a viver com tranquilidade com sucessivos ataques e, em comparação, disse que a comunidade cabo-verdiana na Guiné-Bissau é bem tratada, algo que deveria acontecer também no país.
“Somos todos povos que lutaram para ter a liberdade, é triste presenciar esses ataques contra a nossa comunidade”, disse.
Contactado pela Inforpress, o embaixador da Guiné-Bissau em Cabo Verde, Ibraima Sanó, disse entender a revolta dos guineenses, mas considerou que também o comportamento dos mesmos não foi o mais correto, ao relatar que um grupo esteve na sua residência no fim de semana a manifestar-se e acabaram por arrebentar o portão do edifício tendo sido necessário chamar a polícia para fazer a segurança do edifício.
Quanto aos actos de violência contra a comunidade, a mesma fonte frisou que recebeu os representantes da comunidade guineense na manhã desta segunda-feira e ouviu as suas preocupações.
“Acredito que são casos isolados, situações que infelizmente acontecem em todo o lado”, apontou, e que devem estar sob alçada da polícia.
Ainda sobre os casos de assaltos e disparos relatados por esta comunidade emigrada, a Inforpress entrou em contacto com a Polícia Nacional para mais esclarecimentos mas sem sucesso no momento.

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