sábado, 03 outubro 2026

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Estado da Nação: Líder parlamentar do PAICV acusa anterior governo de "má governação" e fala em novo ciclo político

A líder da bancada parlamentar do PAICV afirmou hoje que o país herdado pelo novo Governo apresenta fragilidades em vários sectores, acusando o anterior executivo de ter deixado problemas estruturais, apesar do crescimento económico registado nos últimos anos.

Na abertura da sua intervenção durante o debate sobre o Estado da Nação, que decorreu na Assembleia Nacional, Carla Lima criticou o discurso do líder parlamentar do MpD, cujo discurso disse “marcado por ofensas" e por uma postura que classificou de pouco parlamentar, lamentando o tom utilizado durante o debate.

A deputada sustentou que as eleições legislativas de 17 de Maio representaram uma avaliação da governação do MPD pelos cabo-verdianos e que a vitória do PAICV traduziu uma vontade de mudança e a confiança dos eleitores na nova maioria parlamentar.

Segundo a líder parlamentar do PAICV, o crescimento económico registado em 2025, estimado em 6,3 por cento (%), não se traduziu numa melhoria das condições de vida da população, defendendo que os benefícios desse crescimento não chegaram à maioria dos cabo-verdianos.

Durante a intervenção, Carla Lima acusou ainda o anterior Governo de utilizar recursos públicos com fins eleitorais, alegando que, entre Janeiro e Junho de 2026, foram executados cerca de 70% das verbas anuais destinadas a benefícios sociais e apoio habitacional.

Referiu que mais de 700 mil contos foram gastos em cestas básicas e que diversas dotações orçamentais foram praticamente esgotadas antes do período eleitoral.

Na sua perspectiva, o apoio às famílias é uma obrigação do Estado, mas considerou que esses recursos foram concentrados à porta das eleições, numa tentativa de transformar a vulnerabilidade social em vantagem eleitoral.

No plano económico, Carla Lima defendeu que o turismo continua excessivamente concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista e assente no modelo "all inclusive", situação que, segundo afirmou, limita a integração da agricultura, das pescas, da indústria e das micro e pequenas empresas na cadeia de valor do sector.

A deputada apontou igualmente problemas no mercado de trabalho e afirmou que, apesar da redução da taxa oficial de desemprego para 6,2% em 2025, a subutilização da força de trabalho atingiu 23,6%, abrangendo desempregados, subempregados e pessoas disponíveis para trabalhar.

Na área social, citou estimativas do Banco Mundial para defender que uma parte significativa da população permanece em situação de vulnerabilidade económica e destacou a realidade das trabalhadoras domésticas e afirmou que a maioria continua sem cobertura da Segurança Social.

Relativamente aos jovens, Carla Lima referiu-se a um estudo do Instituto Nacional de Estatística segundo o qual 64,6% manifestam intenção de emigrar, indicador que revela, indicou, perda de confiança nas oportunidades existentes no país.

No sector da educação, considerou que o investimento público perdeu peso nos últimos anos e criticou a redução da despesa em percentagem do Produto Interno Bruto, a organização dos agrupamentos escolares e a diminuição do número de estudantes no ensino superior em comparação com os níveis registados há mais de uma década.

Quanto aos transportes, acusou o anterior executivo de não resolver os problemas da conectividade entre as ilhas, referindo atrasos, cancelamentos frequentes e elevados custos das viagens aéreas e marítimas, apesar dos recursos públicos canalizados para o sector.

Na saúde, reconheceu a realização de investimentos em infra-estruturas, mas afirmou que persistem falhas de planeamento, fiscalização e gestão, e apontou dificuldades de acesso aos cuidados médicos, problemas no abastecimento de medicamentos e a ausência de avanços na concretização do Hospital Nacional.

Carla Lima abordou ainda a crise de abastecimento de água registada na Praia, em Maio de 2026, considerando que a situação evidenciou falta de investimento, manutenção e planeamento no sistema de produção e distribuição.

A líder parlamentar do PAICV defendeu que o orçamento rectificativo, aprovado pela maioria parlamentar, marca o início da concretização das prioridades do novo Governo e destacou medidas nas áreas da saúde, ensino superior, apoio às famílias e às empresas.

Segundo Carla Lima, "a mudança deixou de ser uma promessa" e começou a traduzir-se em decisões e políticas públicas.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 11 horas atrás

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28 dias atrás 3 horas atrás

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joão do rosário
30 dias atrás 9 horas atrás

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