José Maria Neves (JMN) quer promover um fórum para debater Cabo Verde em 2050 se for reeleito Presidente da República para um segundo mandato consecutivo, disse sexta-feira aos jornalistas.
"Nós temos três cestos: governo, justiça e parlamento. O presidente não faz parte de nenhum dos cestos", disse, referindo que há cinco anos usou esse argumento – quando o Movimento para a Democracia (MpD) era poder –, mas para se propor como presidente "com equilíbrio, com imparcialidade e com autonomia, evitando que os cestos se misturem, garantindo a separação de poderes".
Conforme a fonte deste jornal, José Maria Neves falava à entrada do anfiteatro da Assembleia Nacional, na capital, Praia, para o evento de apresentação pública da sua recandidatura ao cargo de Presidente da República nas eleições de 15 de novembro.
Perante uma plateia animada, não faltaram apoios ao candidato durante a cerimónia.Para analistas atentos, Neves reúne condições para sair vitorioso como Presidente da República, previsivelmente na primeira volta das eleições de 15 de Novembro deste ano. É que, segundo analisam as mesmas fontes, JMN conta com o apoio de militantes e simpatizantes do PAICV no poder, podendo ainda beneficiar de apoios de eleitores de outros quadrantes políticos.
“Hoje sou de longe melhor presidente do que em 2021”, afirmou, segundo a Inforpress, José Maria Neves, em entrevista à margem da apresentação pública da sua recandidatura, na Assembleia Nacional, destacando os contactos mantidos ao longo do mandato com empresas, Governo, autarquias, cidadãos, igrejas, sindicatos e partidos políticos.
Segundo NM que cita Lusa, na sua intervenção, fazendo balanço do primeiro mandato, deu exemplos: defendeu debates sobre a criação de oportunidades para quem não quer emigrar, bem como sobre a mobilização de talentos da diáspora para a saúde, educação ou outras áreas, tal como já acontece no desporto.
Neves anunciou também a proposta de "organizar uma convenção da juventude", com "toda a diáspora e ilhas" para discutir "sonhos e propostas".
O objetivo é "disponibilizar esse manancial de dados, de questões, às autoridades competentes" para dar origem a "políticas públicas capazes de dar resposta a esses desafios e a esses problemas".
"O mundo está muito difícil. Cabo Verde também está a ter enormes desafios e é fundamental ter um presidente com experiência", referiu aos jornalistas, apontando como "grande diferença" em relação a 2021 a experiência que acumulou, com "diálogos" para "construir pontes".
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que conquistou o poder nas eleições de maio, já declarou apoio ao seu antigo líder, mas José Maria Neves garante que, se ganhar, os ovos não ficam "todos no mesmo cesto" – numa alusão ao equilíbrio partidário.
"Nós temos três cestos: governo, justiça e parlamento. O presidente não faz parte de nenhum dos cestos", disse, referindo que há cinco anos usou esse argumento – quando o Movimento para a Democracia (MpD) era poder –, mas para se propor como presidente "com equilíbrio, com imparcialidade e com autonomia, evitando que os cestos se misturem, garantindo a separação de poderes".
"Foi isso que eu fiz e garanti durante os cinco anos em que estive na presidência", concluiu segundo a mesma fonte.
José Maria Neves, 66 anos, foi primeiro-ministro durante três mandatos, entre 2001 e 2016, enquanto líder do PAICV.
Em dezembro de 2014, prossegue NN que reporta Lusa, passou o testemunho da liderança da força política e em 2021 venceu as eleições presidenciais, à primeira volta, com 95.974 votos (51,7%) - o principal adversário, Carlos Veiga, fundador do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), recebeu 78.612 votos (42,4%).
A 14 de setembro anunciou a recandidatura a um segundo mandato, suspendendo as funções de chefe de Estado, passando a presidente da Assembleia Nacional, Janira Hopffer Almada, a assumir a presidência interina.
Há seis candidatos às eleições presidenciais de 15 de novembro em Cabo Verde.
Além de José Maria Neves, o boletim de voto conta pela primeira vez com uma mulher, Joana Rosa, ex-ministra da Justiça, apoiada pelo MpD, o médico Gilson Alves, o jurista Casimiro Pina, o juiz Antero Tavares e o docente Loisito Sousa.

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