segunda-feira, 28 setembro 2026

UA/Cimeira: Lula da Silva defendeu reorganização das instituições multilaterais

“Precisamos criar uma nova governança global, capaz de enfrentar os desafios do nosso tempo. A multipolaridade é um componente inexorável e bem-vindo ao século XXI”, afirmou.

Lula da Silva, que foi um dos convidados para participar na 37.ª cimeira da UA – que termina no domingo na capital etíope -, salientou que sem os países em desenvolvimento “não será possível a abertura de novo ciclo de expansão mundial que combine crescimento, redução das dificuldades e preservação ambiental com ampliação das liberdades”.

“O Sul global está se constituindo em parte incontornável da solução para as principais crises que afligem o planeta. Crises que decorrem do modelo concentrador de riquezas e que atingem sobretudo os mais pobres e, entre estes, os imigrantes”, adiantou.

Para Lula da Silva, a alternativa aos efeitos negativos da “globalização neoliberal não virá da extrema-direita racista e xenófoba”.

“O desenvolvimento não pode continuar sendo privilégio de poucos. Só o projeto social inclusivo nos permitirá erigir sociedades prósperas, livres, democráticas e soberanas. Não haverá estabilidade nem democracia com fome e desemprego”, antecipou.

O Presidente brasileiro assegurou ainda a disponibilidade do seu país em ajudar África em múltiplas áreas, como a educação, saúde, ambiente, agricultura e ciência e tecnologia, porque, destacou, “com seus mil e quinhentos milhões de habitantes e seu imenso e rico território, África tem enormes possibilidades para o futuro. O Brasil quer e precisa crescer junto com África”.

Em seguida, Lula da Silva criticou as instituições de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial), considerando que “agravam muitas vezes as crises que dizem estar a resolver” e obrigam os países em desenvolvimento a garantir o serviço da dívida ao invés de investir em programas de educação e saúde.

“Estas instituições já não ajudam. Pelo contrário, sufocam os países”, acusou.

Reconhecendo que o Brasil não tem todos os instrumentos que ele próprio gostaria que tivesse, e que muitos pensam que tem, como dinheiro, conhecimento científico e tecnológico e força, Lula da Silva concluiu disponibilizando “o muito ou pouco que (o seu país) tem” a África.

“Eu quero compartilhar com os países africanos porque nós temos uma dívida histórica de 300 anos de escravidão e a única forma de pagar é com solidariedade e com muito amor”, frisou.

Lula aludiu na sua intervenção à guerra na Ucrânia, a qual, considerou, “não tem solução militar”.

“As suas consequências são sentidas em todo o mundo, no preço dos alimentos e de fertilizantes. Não haverá solução militar para esse conflito. É chegada a hora da política e da diplomacia”, defendeu.

A Semana com Lusa 

18 de Fevereiro de 2024

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 5 horas atrás

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jcf
23 dias atrás 22 horas atrás

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joão do rosário
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