Apesar de o Constitucional ter rejeitado providência cautelar, Higino Carneiro não desiste da corrida ao MPLA. Jurista considera, segundo DW África, reduzidas as hipóteses de reverter a decisão e acredita na criação de um novo partido.
Não sei se seria um MPLA dividido, porque o Higino Carneiro tem uma aceitação quer a nível dos militantes de José Eduardo dos Santos que ainda veem Higino como alguém que congrega quer o grupo anterior, assim como o grupo vigente. Portanto, ele consegue congregar os mesmo militantes agora vigentes, que são do João Lourenço, e também consegue congregar os militantes do José Eduardo dos Santos da altura. Por isso tenho estado a falar num MPLA renovado, na medida em que ele vai chamar alguns militantes e muitos vão atrelar a posição do Higino Carneiro na formação do novo partido político.
Depois de ver negada pelo Tribunal Constitucional a providência cautelar em que exigia a suspensão da rejeição da sua candidatura à liderança do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Higino Carneiro faz finca pé e assegura que não vai desistir, revela DW África.
Em conferência de imprensa, na terça-feira (22.09, o político sublinhou que "um general não recua antes de chegar ao combate", pelo que, segundo as suas palavras, vai "esgotar todos os recursos" a que tem direito para levar a sua candidatura adiante.
Higino Carneiro admite impugnar as eleições à liderança do MPLA, que já confirmou a recandidatura do atual Presidente João Lourenço. A DW África perguntou ao jurista Serrote Simão até onde irá a "força" do general?
DW África: Ainda haverá espaço de manobra para Higino Carneiro contornar a decisão do Tribunal Constitucional?
Serrote Simão (SS): Ainda há espaço, aliás, não esgotou ainda. Penso que ainda há um conjunto de atos que serão praticados, há recursos ordinários, há recursos plenos que poderão ser efetuados a nível do Tribunal Constitucional.
DW África: É aquilo que se sente, não é?
SS: Exatamente. Então, nessa perspetiva, obviamente que o general Higino Carneiro não terá muito espaço para ver a sua candidatura ser aceite a nível do Tribunal Constitucional. Uma das hipóteses que se pode adivinhar aqui é, por exemplo, se ele encontrar dificuldades a nível do Tribunal Constitucional, eventualmente poderá ser a criação de um partido que ele vai liderar. E se assim acontecer, estaríamos a falar, por exemplo, de um MPLA renovado, há essa possibilidade, ou então, até num outro partido. E se assim acontecer, ainda assim, terá aquele pendor de ser um MPLA renovado.
DW África: Fala numa renovação do MPLA, mas já há quem diga que Higino Carneiro, por si próprio, não pode ser visto como renovação do MPLA pelo histórico que ele tem no partido. Como é que isso seria? Seria renovação ou seria talvez um MPLA dividido?
SS: Não sei se seria um MPLA dividido, porque o Higino Carneiro tem uma aceitação quer a nível dos militantes de José Eduardo dos Santos que ainda veem Higino como alguém que congrega quer o grupo anterior, assim como o grupo vigente. Portanto, ele consegue congregar os mesmo militantes agora vigentes, que são do João Lourenço, e também consegue congregar os militantes do José Eduardo dos Santos da altura. Por isso tenho estado a falar num MPLA renovado, na medida em que ele vai chamar alguns militantes e muitos vão atrelar a posição do Higino Carneiro na formação do novo partido político.
DW África: Conhecendo agora a "guerra" que existe no MPLA, há a possibilidade desse partido ser registado até às eleições do próximo ano?
SS: Se houver a criação de um novo partido político, depois em sede de um congresso extraordinário poderá lançar Higino Carneiro. Penso que há tantas possibilidades, tantas vias para que Higino Carneiro possa liderar um partido político.

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